Érica Dezonne/ANN - 25.09.2013
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Comissão de MG quer pedido de desculpas a motorista do caso JK

Josias Nunes de Oliveira falou ao colegiado mineiro sobre o acidente que causou a morte do ex-presidente, em 1976; ele relatou ter recebido oferta de dinheiro para assumir a culpa

Atualizado em 05.11, Marcelo Portela - O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2013 | 20h17

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais vai solicitar um pedido formal de desculpas ao motorista aposentado Josias Nunes de Oliveira, de 69 anos, apontado durante o regime militar como responsável pelo acidente que provocou a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em agosto de 1976. Em outubro, Oliveira contou ao Estado que dois homens ofereceram dinheiro para ele assumir a culpa no processo.

 

O motorista, que completa 70 anos nessa quarta-feira, 6, narrou o episódio Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, no começo de outubro. Nessa segunda-feira, 4, ele repetiu a versão ao colegiado mineiro. Durante o depoimento, Oliveira voltou ao chorar quando contou ter sido procurado por representantes da ditadura militar que ofereceram a ele "uma mala de dinheiro". O motorista foi absolvido do no processo na época.

 

Ao fim da audiência, o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Legislativo mineiro, deputado estadual Durval Ângelo (PT), afirmou que encaminhará à Comissão Nacional da Verdade a solicitação de um pedido formal de desculpas por parte do governo federal ao aposentado, que hoje vive em um abrigo para idosos em São Paulo. "Vamos pedir também o reajuste da aposentadoria de seu Josias", afirmou o deputado. Para o ex-motorista, porém, "nada paga" o que ele passou devido ao caso.

 

Oliveira contou que cinco anos após o caso pediu demissão da empresa onde trabalhava, foi aposentado por invalidez e se separou da família. "Eu ouvia de colegas que matei JK. Para mim, o Brasil só teve dois presidentes: Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek", desabafou.

 

Pela versão oficial divulgada pelo governo militar na época, o ônibus dirigido por Josias Oliveira bateu no Opala no qual estava JK e o carro do ex-presidente atingiu um caminhão na contramão. O motorista Geraldo Ribeiro também morreu na ocasião.

 

Acompanharam o depoimento dessa terça-feira os advogados Márcio Santiago e William Santos, da Comissão da Verdade da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que encaminharam a documentação sobre a morte de JK à Comissão Nacional da Verdade para o caso ser novamente investigado.

 

A suspeita é de que o acidente tenha ocorrido após Geraldo Ribeiro ser baleado na cabeça. A exumação do corpo do motorista e amigo pessoal do ex-presidente realizada em 1996 mostrou que ele tinha uma perfuração no crânio que a perícia alegou ter sido provocada por um prego do caixão. Um fragmento metálico foi encontrado, mas a peça teria desaparecido.

 

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