Comissão de Ética do PDT deve julgar Miro Teixeira

A Comissão de Ética do PDT deve analisar o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, filiado ao partido, com a possibilidade de expulsá-lo da legenda. A informação foi dada hoje pelo presidente nacional do PDT, ex-governador Leonel Brizola, que disse que a caberá à direção nacional do partido, que se reúne próxima segunda-feira em São Paulo, decidir. Desde que foi para o governo, como indicação pessoal de Lula e não com um representante do PDT, Miro enfrenta fortes críticas de Brizola e de outros líderes do partido. A crise do reajuste da telefonia fixa, com Miro criticando a Anatel, aguçou as diferenças entre os dois.Segundo Brizola, Miro tem "uma posição dúbia" no caso do reajuste da telefonia. "Ou está sendo um instrumento para o aumento das tarifas ou é contra o reajuste. Por que o Judiciário? Se ele já tem o Poder Executivo nas mãos", afirmou o ex-governador, nesta manhã, ao participar da filiação de militantes da Força Sindical ao partido. De acordo com ele, em vez de recomendar ações na Justiça, Miro deveria suspender os aumentos, fazendo as empresas recorrerem."Foi isso o que eu fiz no Rio Grande do Sul. Não precisei do Judiciário", disse Brizola, referindo-se a um episódio de quando ocupava o governo do Estado. O ex-governador não quis informar se pessoalmente é favorável ao afastamento de Miro do partido. Mostrou, no entanto, sua discordância em ter um filiado do PDT no governo Lula, ao afirmar: "No lugar dele, já tinha me exonerado (do partido). A rigor, eu nem tido ido (para o governo)", disse Brizola.Portas abertas para GarotinhoO ex-governador do Rio Anthony Garotinho, se quiser, poderá voltar ao PDT. Ao falar nesta manhã sobre essa possibilidade, Brizola deixou claro que não se oporá ao seu retorno. "Se (Garotinho) fizer um reexame de tudo o que ocorreu, e tirar suas conclusões, da nossa parte não encontrará intransigência", afirmou Brizola.Brizola ponderou que, pelo estatuto do partido, "qualquer pessoa" que procure o PDT e diga que não "tem meios de se expressar" e, por isso, esteja "excluída", deve ser bem-vinda. No caso de Garotinho, ele explicou que essa possibilidade existiria já que ele foi expulso do PSB, sem direito de contestação. "Temos o dever de ensejar essa oportunidade", disse, sobre a obediência ao estatuto.Sobre as declarações que vem sendo dadas por Garotinho a favor do PDT, Brizola mostrou-se agradecido. "Nos conforta saber que alguém que foi expulso do nosso partido se declare com saudades". Nos últimos dias, o ex-governador vem repetindo que, quando foi expulso do PDT, pode se defender, o que lhe seria negado agora.Em conversas com uma das filhas do casal Garotinho, Clarissa, o presidente nacional do PDT disse que a situação entre ele e o ex-governador do Rio vem sendo discutida. "Ela está fazendo um trabalho muito bom de harmonização", disse. Ao ser indagado se também de aproximação, ele repetiu: "De harmonização" e riu.

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