Comissão de Ética da Presidência vai pedir informações a Pimentel

Ministro será convidado a esclarecer os negócios de sua empresa de consultoria, que faturou R$ 2 mi entre 2009 e 2010

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S.Paulo

26 de março de 2012 | 15h13

Por um placar apertado, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu nesta segunda-feira, 26,  pedir mais informações ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, sobre os negócios de sua empresa de consultoria. "Embora correto ao meu ver o voto do conselheiro Roberto Caldas de que em linha de princípio atos anteriores à investidura do ministério não são da competência da comissão, alude o próprio voto a situações excepcionalíssimas em que atos anteriores possam comprometer a autoridade e exigir providência da comissão", afirmou o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence.

Votaram a favor do pedido de mais informações os conselheiros Fábio Coutinho, Marília Muricy e Pertence. Pelo arquivamento, se posicionaram Roberto Caldas, José Ernanne Pinheiro e Américo Lacombe. O sétimo conselheiro, Humberto Gomes de Barros, está de licença médica e não participou. Coube a Pertence o voto de Minerva.

"Sem fazer nenhum juízo de mérito por ora sobre as acusações correntes ao ministro, resolvemos dar-lhe a oportunidade de se manifestar para que então possamos ajuizar se existe essa situação excepcional em que se justificaria a abertura de um processo de ética, embora os fatos veiculados sejam todos eles anteriores a sua posse no ministério", disse Pertence.

De acordo com o presidente da comissão, o próximo passo é decidir pela abertura ou não de processo para investigar a conduta do ministro. Questionado se as denúncias contra Pimentel seriam consistentes, Pertence respondeu: "Passei os olhos no jornal muito rapidamente. O que eu fiz foi isso, quando se alegou que excepcionalmente poderia haver hipóteses em que fatos anteriores poderiam movimentar a comissão, eu resolvi não esgotar isso, até porque o ministro tem se manifestado que está atencioso para prestar esclarecimentos".

A oposição vê semelhanças entre a situação de Pimentel e a do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que deixou o governo depois denúncias de patrimônio ampliado em 20 vezes após a prestação de serviços de consultoria. A denúncia contra Pimentel refere-se à sua empresa P-21 Consultoria e Projetos, que teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010.

Pimentel é um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, que tem enfrentado nos últimos dias o momento de maior crise política do seu governo, ao ser confrontada com as insatisfações e retaliações da base aliada.

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