Comissão de Ética da Presidência abre processo contra Duque

Ex-diretor da Petrobrás, apontado por delatores como um dos elos com as empreiteiras, terá dez dias para apresentar sua defesa

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 17h56

Brasília - Após os novos desdobramentos da Operação Lava Jato, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu nesta quarta-feira, 19, abrir processo contra o ex-diretor de serviços da Petrobrás Renato Duque, apontado por delatores como um dos elos da Petrobrás com as empreiteiras.

De acordo com o presidente da comissão, Américo Lacombe, a defesa de Duque terá 10 dias para prestar os esclarecimentos solicitados. O ex-diretor nega participação no esquema de corrupção.

A Comissão de Ética da Presidência já tinha aberto processos contra o ex-diretor da Área Internacional da estatal Nestor Cerveró e o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. Nenhum dos casos foi julgado pelo colegiado até hoje - a próxima reunião está marcada para 15 de dezembro.

"Eu fui juiz a vida toda, nunca fiz pré-julgamentos. A primeira coisa que a gente tem de fazer é ler o processo", disse Lacombe. "A comissão vai fazer alguma coisa, claro, vamos abrir processo, vamos investigar, mas eu não vou fazer pré-julgamento. O que sai no jornal não é prova, é notícia. Tudo tem de ser bem ponderado, claro."

Questionado sobre como via as novas revelações da Lava Jato, Lacombe ironizou: "Eu não vejo nada. Eu não li processo. Ele (Duque) vai ter de se defender, evidente. Eu não vou intimá-lo, ele que se defenda."

Conforme informou nesta quarta-feira o Estado, dois executivos de construtoras presos sob suspeita de integrar um esquema de corrupção em contratos com a Petrobrás afirmaram em depoimentos à Polícia Federal que pagaram propina aos ex-diretores da estatal Renato Duque e Paulo Roberto Costa e ao doleiro Alberto Yousseff, alvos da Operação Lava Jato.

"A Petrobrás tem colaborado com a investigação, já mandou alguma coisa", disse Lacombe, sem detalhar quais as informações a empresa encaminhou à estatal. A Comissão de Ética também vai pedir novos esclarecimentos à Petrobrás envolvendo a atuação de Duque na empresa.

Prazo. De acordo com o conselheiro Horácio Raymundo de Senna Pires, relator do processo contra Paulo Roberto Costa, a análise do caso pela Comissão de Ética Pública da Presidência não está vinculado à conclusão do trabalho da Polícia Federal.

"Não precisamos esperar. A esfera ética é diferente da esfera penal", disse o conselheiro. Lacombe também informou que a comissão pedirá ao juiz federal Sérgio Moro o envio da cópia do depoimento de Paulo Roberto Costa à Justiça.

Como os ex-diretores já deixaram a empresa, a punição cabível a eles no âmbito da comissão é a censura ética, que funciona como uma "mancha" no currículo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.