Comissão de Ética critica mas não pune gesto de Garcia

Assessor fez gesto obsceno após saber pela TV que causa do acidente da TAM era falha mecânica

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

02 de agosto de 2007 | 18h41

A Comissão de Ética Pública considerou como "grosseira" e "imprópria" a atitude do assessor do Palácio do Planalto Marco Aurélio Garcia de comemorar com gestos obscenos a versão de que o acidente com o avião da TAM, no último dia 17, no aeroporto de Congonhas, foi causado por falha mecânica. Como o Palácio esperava, a comissão ficou só nas palavras e não propôs punição para Marco Aurélio nem para o assessor de imprensa Bruno Gaspar, também flagrado pela câmera da TV Globo fazendo gestos obscenos.   Veja também:   PT formaliza apoio a Marco Aurélio Garcia após gestos obscenos   Reação de Marco Aurélio Garcia após reportagem do JN   Em nota assinada pelo presidente em exercício, Marcílio Marques Moreira, a comissão "lembra" que o momento é de "reflexão", "sentimento de pesar" e "ação". A nota destaca que os integrantes da comissão, reunidos no Rio na última segunda-feira, observaram que o agente público deve dar sempre o "bom exemplo". "O exercício da função de servir ao público exige, entre outras responsabilidades, motivar o respeito e a confiança do público em geral, o que não comporta atitudes grosseiras", ressalta a nota.   Leia a íntegra da nota:   A Comissão de Ética Pública, em reunião realizada no dia 30.7.2007, entre os pontos de sua pauta, examinou os esclarecimentos prestados pelo Chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Marco Aurélio Garcia, a propósito do episódio amplamente debatido pela imprensa, sobre gestos filmados por emissora de televisão, diante de notícias sobre possíveis causas do desastre com o vôo TAM 3054.   Na ocasião, decidiu:   a) Lembrar aos servidores, e sobretudo aos dirigentes públicos, que o momento é de profunda reflexão, sentimento de pesar, e ação eficiente, sem controvérsias estéreis, em respeito aos vitimados pelo trágico acidente aéreo, a seus familiares e à nação;   b) Considerar imprópria a conduta do Assessor Marco Aurélio Garcia, que já foi objeto de pedido público de desculpas;   c) Reiterar recomendação já exarada para que "as altas autoridades do Governo Federal, bem como todos os servidores públicos e concessionários de serviços públicos tenham sempre presente que o exercício da função de servir ao público exige, entre outras responsabilidades, motivar o respeito e a confiança do público em geral", o que não comporta atitudes grosseiras. O exercício da função pública deve, sempre e de forma inequívoca, servir de bom exemplo (Exposição de Motivos nº 37 e art. 3º do Código de Conduta da Alta Administração Federal).   Rio de Janeiro, 1º de agosto de 2007.

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