Comissão de Ética arquiva processo contra ex-vice presidente do BB

Em decisão unânime, colegiado da Presidência concluiu pela falta de indícios que sustentasse denúncia de 'possível desvio ético' praticado por Allan Simões Toledo

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 09h00

A Comissão de Ética da Presidência da República arquivou, em decisão unânime, processo que apurava "possível desvio ético" praticado pelo ex-vice presidente do Banco do Brasil, Allan Simões Toledo. O colegiado concluiu pela "inexistência de indícios suficientes" de conduta irregular do executivo, que dirigiu a área internacional do BB.

 

A investigação teve início a partir da denúncia, em fevereiro passado, sobre depósitos que somaram R$ 953 mil na conta de Allan, em uma agência em São Paulo, no ano de 2011.

 

O relator do processo da Comissão de Ética foi o advogado Américo Lacombe, desembargador aposentado, ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3).

 

"Após detido exame constata-se que, a princípio, o sr. Allan Toledo justificou e comprovou pelos documentos a origem dos depósitos recebidos, que se deram em virtude de compra e venda de imóvel pertencente à pessoa da qual é procurador legalmente constituído e herdeiro e que se encontra acometida de doença que, como é sabido, requer assistência, afastando, a priori, prática de desvio ético a ser reprovado", assinala a Comissão de Ética da Presidência.

 

A movimentação financeira rotulada de atípica na conta de Allan foi identificada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

 

Allan deixou o BB em dezembro, em meio a suspeitas de que teria interesse em desestabilizar o presidente da instituição, Aldemir Bendine. Ele diz que nunca teve qualquer atuação política dentro do BB.

 

Defendido pelos criminalistas José Roberto Batochio e Guilherme Batochio, o ex-vice do BB apresentou esclarecimentos à Comissão de Ética em 11 de abril. Ele alegou que teve "seus dados bancários violados".

 

Allan Toledo informou que aquela quantia foi depositada em sua conta por Liu Mara Fosca Zerey, "a qual, desde o falecimento de sua mãe biológica, assumiu o papel de madrinha e mãe substituta, com o objetivo de custear, entre outras coisas, tratamento médico quimioterápico, de carcinoma (câncer) de que se vê acometida há algum tempo e que ora se encontra em estado metástico".

 

Segundo Allan, "a origem dos depósitos se reporta ao preço parcelado, em cinco vezes, pagos pela venda e compra de um imóvel à ela (Liu Mara) pertencente". O imóvel fica na Vila Olímpia.

 

"Havendo sido criado e educado pela sra. Liu Mara desde a tenra idade, a assiste em sua doença, administra seus bens e contas, é seu procurador, gere seu patrimônio imobiliário e, por fim, também foi designado seu herdeiro por força de testamento público", acentua o ex-vice-presidente do Banco do Brasil.

 

Allan assinala que "suas funções, enquanto autoridade (no BB) não estavam relacionadas à concessão de créditos e que o adquirente do imóvel (de Liu Mara) não tinha nenhum interesse junto ao Banco do Brasil, tratando-se de empresário com atividades em diversos ramos de negócio, principalmente o imobiliário".

 

Seus advogados juntaram à manifestação perante a Comissão de Ética cópia de representação que fez ao Ministério Público Estadual de São Paulo, na qual pede investigação para identificar quem violou seu sigilo bancário.

 

Também anexou às explicações cópia de e-mails que, segundo ele, comprovam a quebra do sigilo que sofreu, cópia do instrumento particular de compromisso de compra e venda "do imóvel em questão", além da escritura e registro do imóvel, escritura pública de testamento e a procuração por meio da qual Liu Mara o nomeia procurador.

 

"Os elementos trazidos aos autos pela ex-autoridade (Allan) em sua manifestação afastam os indícios de ocorrência de conduta antiética, requisito indispensável para a apuração no âmbito da Comissão de Ética Pública, tal como prevê o artigo 18 do Código de Conduta da Alta Administração Federal (CCAAF)", diz trecho do relatório conclusivo da Comissão de Ética Pública da Presidência.

 

Para o criminalista Guilherme Batochio, "ficou definitivamente reconhecida a absoluta lisura e a licitude do comportamento do sr. Allan Toledo nos fatos que foram objeto de investigação".

 

 

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