Comissão das ONGs convoca amigo de Lula

Dirigente da Unitrabalho, Lorenzetti ficou conhecido no caso dos ''''aloprados''''

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2008 | 00h00

O bloqueio imposto por senadores da base aliada para impedir a CPI das ONGs de investigar pessoas e entidades ligadas ao governo foi ontem quebrado, com a aprovação da convocação do ex-dirigente da organização não-governamental Unitrabalho e ex-diretor do Banco do Brasil Jorge Lorenzetti. O requerimento do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi aprovado com o voto de minerva do presidente da comissão, Raimundo Colombo (DEM-SC). A oposição, que é minoria, somou cinco votos contra quatro. Foi a única vez em que o relator, Inácio Arruda (PC do B-CE), abstendo-se, desistiu de acompanhar o voto dos governistas.Amigo, coordenador da campanha de reeleição e churrasqueiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lorenzetti será ouvido como dirigente da Unitrabalho e não como um dos aloprados - como foram chamados por Lula - que participaram da tentativa de compra, por R$ 1,7 milhão, do dossiê Vedoin, em 2006, que conteria supostas denúncias contra candidatos do PSDB. Segundo Álvaro Dias, um dia antes de os aloprados serem flagrados pela Polícia Federal negociando o dossiê, o Ministério do Trabalho depositou R$ 3,4 milhões na conta da Unitrabalho. Dias chamou a atenção também para os R$ 15 milhões depositados por órgãos da administração direta nesta ONG, de 2003 a 2006. "Há suspeita de desvio de recursos repassados à Unitrabalho", afirmou. A data do comparecimento de Lorenzetti não foi marcada. Para o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), as investigações ficarão comprometidas se a base aliada continuar impedindo a CPI de ter acesso a dados, não sigilosos, sobre os repasses de estatais e fundações para ONGs. "O trabalho da comissão está sendo prejudicado pela sabotagem patrocinada por senadores da base aliada e por poderosas ONGs", disse o senador. Na votação em bloco foram aprovados 34 outros requerimentos. Entre eles os que convocam para depor o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, e o presidente da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), Antonio Manoel Dias Henrique. De acordo com o Ministério Público, por meio da Finatec, a UnB repassou R$ 470 mil para compra de móveis para o apartamento do reitor. Como vem ocorrendo desde o início da CPI, em outubro, o senador Sibá Machado (PT-AC), a cada requerimento polêmico, se empenhava em derrubá-lo. A oposição teve o reforço dos líderes do DEM e PSDB, senadores José Agripino (RN) e Arthur Virgílio (AM), e do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), que passará a compor a CPI.

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