Comissão da Verdade do Rio abre trabalhos e promete investigar 164 casos

Grupo realizou sua primeira reunião no prédio da OAB-RJ, onde uma bomba explodiu neste mês

MARCELO GOMES, Agência Estado

13 de março de 2013 | 19h13

Quase cinco meses depois de a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovar a Lei 6.335/2012, que criou a Comissão Estadual da Verdade, o governador Sérgio Cabral (PMDB) publicou nesta quarta-feira no Diário Oficial o Decreto 44.103, que oficializa e regulamenta o funcionamento do grupo.

Apesar de os nomes dos sete membros não terem sido publicados, hoje mesmo a Comissão realizou sua primeira reunião, na sede da seção Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), no centro da cidade. O edifício é o mesmo onde, no último dia 7, uma bomba explodiu, num suposto atentado para matar o presidente da Comissão e ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

"Na Assembleia, houve obstrução durante meses de parlamentares que não queriam a Comissão da Verdade. Essa é uma resistência política e cultural que existe no Brasil, mas que foi enfrentada. A Comissão já começou a funcionar hoje. Logo depois das nomeações, começaremos a trabalhar. Isso é o que importa. Esse atraso é de natureza política. Já foi contornado e agora vamos cumprir nossa missão", afirmou Damous, ao ser perguntado pela reportagem por que o Executivo levou cinco meses para regulamentar o funcionamento da Comissão.

Durante o encontro, foi decidido que o grupo focará na investigação de 164 casos de mortos e desaparecidos no Estado do Rio durante a ditadura militar. "Este número teria sido levantado pela Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, mas precisa ser confirmado. Aí estão incluídos Rubens Paiva, Mario Alves, e Stuart Angel. Vamos procurar saber o que aconteceu com essas pessoas, como foram assassinadas e a mando de quem", explicou Damous.

O presidente da Comissão disse ainda que serão analisados casos emblemáticos que, apesar de não terem resultado na morte de civis, causaram grande comoção, como a bomba na OAB (1980) e a bomba no RioCentro (1981). "Também vamos investigar os mecanismos que a repressão se valia, como financiamentos privados. Vamos lembrar da casa da morte de Petrópolis, uma propriedade privada que foi cedida à ditadura para assassinatos. De lá quase ninguém saiu vivo. Só uma pessoa conseguiu sobreviver".

De acordo com o decreto, a Comissão - que ficará na estrutura da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) - funcionará por dois anos contados a partir da data de sua instalação e, ao final, deverá apresentar relatório contendo as atividades realizadas, fatos examinados, conclusões e recomendações. O grupo contará com o auxílio de dez assessores, que serão remanejados de outros órgãos do Estado do Rio.

O decreto diz ainda, em seu artigo 3º, que os membros da Comissão serão nomeados pelo governador. Apesar disso, a SEASDH informou que os nomes não foram publicados ontem porque, como a comissão fica a cargo da Secretaria, a nomeação será feita pelo próprio órgão, o que ocorrerá "muito em breve". Já Damous disse esperar que os membros sejam nomeados nesta quinta-feira (14).

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