Comissão da Verdade de São Paulo começa a funcionar na quinta-feira

Deputado que propôs comissão apoia acordo com Uruguai para investigar crimes políticos

Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2012 | 23h37

A Comissão Estadual da Verdade, instituída pela Assembléia Legislativa de São Paulo, deve começar a funcionar nesta quinta-feira. Na primeira sessão, prevista para as 17 horas, haverá uma homenagem a Rubens Paiva, deputado federal que teve o mandato cassado pela ditadura militar em 1964 e, desde 1971, faz parte da lista dos mortos e desaparecidos políticos. A escolha do nome do deputado se deve a dois fatores. Em primeiro lugar, porque ele é paulista; em segundo, porque o foco dos trabalhos da comissão estadual será a investigação de casos de mortos e desaparecidos por razões políticas nos anos do regime militar.

 

Segundo o deputado Adriano Diogo (PT), ex-preso político e autor do projeto de lei que deu origem à comissão, representantes de familiares de mortos e desaparecidos deverão fazer parte da mesa de instalação da comissão. "Os três filhos de Rubens vão participar", informou, referindo-se ao escritor Marcelo Rubens Paiva, à psicóloga Vera Paiva e à professora Maria Eliana.

 

Na primeira sessão, que será pública, os integrantes da comissão também devem receber dos familiares parte dos documentos que acumularam sobre as histórias que serão analisadas. "Vamos instalar processos para investigar o paradeiro das pessoas e a forma como desapareceram", disse Diogo. "O símbolo de nosso trabalho será o Rubens Paiva."

 

Ao comentar a proposta do governo uruguaio de um processo de colaboração com o Brasil para investigar operações de repressão desenvolvidas em conjunto pelas polícias dos dois países nos anos da ditadura militar, ele disse que merece elogios. "Eu considero excelente", afirmou. "Havia uma intensa colaboração entre as ditaduras do Cone Sul", recordou.

 

"Eu morava na Argentina quando desapareceu em Buenos Aires o pianista Tenório Junior, pianista brasileiro que trabalhava com o Vinicius de Moraes e que não tinha nenhum envolvimento com a política. Ele foi preso e morreu com um tiro na cabeça. Quando estive preso na sede da Operação Bandeirantes, em São Paulo, na sala ao meu lado ficavam quatro jovens, estudantes argentinos, que apanharam barbaridade. Também estive preso com o Jorge Viedman, irmão de Soledad Viedman, militante argentina assassinada em Recife pelo Cabo Anselmo."

 

Para o deputado, a colaboração oficial entre Brasil e Uruguai, para o esclarecimento das operações conjuntas das ditaduras, deveria começar imediatamente.

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