Andre Dusek/AE
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Comissão da Verdade abre portas à conciliação, diz FHC

'Uma coisa é a Justiça, outra a memória. A comissão tem de revelar os fatos', disse o ex-presidente

Rafael Moraes Moura, Tânia Monteiro e Vera Rosa - Agência Estado

16 de maio de 2012 | 14h01

BRASÍLIA - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acredita que a instauração da Comissão da Verdade, voltada para esclarecer violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, vai permitir abrir as "portas para uma reconciliação".

 

Ele participou da cerimônia de posse dos sete integrantes da comissão, na manhã desta quarta-feira, 16, no Palácio do Planalto, ao lado da presidente Dilma Rousseff e dos ex-presidentes José Sarney, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor.

 

"Eu acho que a presidente (Dilma) falou por todos nós, é um dia importante para o Brasil, com esse espírito de reconhecer a verdade, guardar na memória e ao mesmo tempo abrir as portas para uma reconciliação. Aqui é uma questão de Estado, não é política", afirmou Fernando Henrique Cardoso a jornalistas, após a cerimônia.

 

"Uma coisa é a Justiça, outra a memória. E aqui se trata de ver a memória, a interpretação que cada um dará, mas os fatos são os fatos, a comissão tem de revelar os fatos."

 

Sancionada pela presidente em novembro passado, a lei que cria a Comissão da Verdade fixa como objetivos do grupo "esclarecer os fatos e as circunstâncias dos casos de graves violações de direitos humanos" ocorridos entre 1946 e 1988 e "promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres".

 

A lei também estabelece que é "dever dos servidores públicos e dos militares" colaborar com o grupo. As atividades da comissão, ressalta o texto, não terão "caráter jurisdicional ou persecutório". A partir da sua instauração, a comissão terá um prazo de dois anos para concluir os trabalhos e apresentar um relatório.

 

A Comissão da Verdade é formada por José Carlos Dias, Gilson Dipp, Rosa Maria Cardoso da Cunha, Cláudio Fonteles, Paulo Sérgio Pinheiro, Maria Rita Kehl e José Paulo Cavalcanti Filho.

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