Comissão da Câmara vai ouvir funcionários da Petrobras

A Comissão Externa da Câmara dos Deputados que investiga o acidente e afundamento da plataforma P-36 da Petrobras vai a Macaé na próxima quinta-feira, dia 19, ouvir funcionários da estatal e familiares das 11 vítimas fatais do acidente. A série de explosões aconteceu no dia 15 de março e o afundamento, dia 20. Segundo o presidente da comissão, Luís Antônio Fleury Filho (PTB-SP), a intenção é obter o máximo de informações sobre as condições de segurança da plataforma.Entre os convocados está o gerente de negócios da Bacia de Campos, Carlos Eduardo Bellot, que, em depoimento à polícia, confessou ter retirado da intranet da Petrobras relatórios de produção que alertavam sobre problemas técnicos na P-36. Os relatórios haviam sido feitos três dias antes do acidente. Bellot disse que sua intenção era "preservar" as informações dos documentos.A comissão da Câmara também pretendia ouvir na próxima semana o ex-presidente da estatal, Joel Mendes Rennó, e o dono da Marítima, German Efromovich, mas os depoimentos foram adiados para o dia 24. Segundo Fleury Filho, o adiamento foi a pedido das comissões de Minas e Energia e de Defesa do Consumidor da Câmara. "A idéia é fazer uma sessão conjunta", explicou. A intenção, disse o deputado, é saber como foi feito o contrato entre a Petrobras e a Marítima, que intermediou a compra da P-36 na Itália, em 1994, e foi responsável pelo projeto de ampliação da capacidade de produção da plataforma de 100 mil para 180 mil barris de petróleo por dia.Construída na Itália, em 1994, com o nome de Spirits of Columbus, a P-36 foi cercada de problemas desde o projeto. O equipamento foi comprado pela Mitsubishi e arrendado pela Petrobras em 1997, com a intermediação da Marítima, que hoje está em litígio com a estatal por causa do valor da obra. Para acelerar a produção, a P-36 teve a sua capacidade de produção ampliada. O projeto de modificação ficou sob a responsabilidade da Petromec, subsidiária da Marítima.Em junho 1999, porém, a Petrobras decretou intervenção nas obras de aperfeiçoamento da plataforma, justificada por dificuldades financeiras pelas quais passava a Petromec. Depois de uma disputa entre a Marítima e a Petrobras, a obra chegou ao fim com parte do financiamento feita pela própria estatal. Em novembro de 1999, a P-36 chegou ao Brasil, mas só foi liberada para operar cinco meses depois.

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