Comissão da Câmara quer ouvir diretor da J&F

Colegiado de Finanças e Tributação alega interesse em saber como empresa pagou propina a 1.890 políticos

Igor Gadelha e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2017 | 17h43

BRASÍLIA – Em mais uma ofensiva contra o grupo J&F, responsável pela JBS, no Congresso Nacional, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 7, em votação simbólica, requerimento para ouvir o diretor de relações institucionais do grupo Ricardo Saud. O colegiado quer que ele esclareça de que forma pagou propina a 1.890 políticos e a servidores do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Saud, no entanto, não é obrigado a atender ao convite. 

O requerimento aprovado é de autoria do deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), filiado ao mesmo partido do presidente Michel Temer e do suplente de deputado Rodrigo Rocha Loures (PR), ambos incriminados na delação da JBS. O pedido original solicitava apenas a oitiva do ex-diretor de crédito da Odebrecht João Nogueira para esclarecer informações prestadas por ele em delação premiada de que a empreiteira mantinha pagamentos a servidores do BNDES.

Vice-líder do DEM, o deputado Pauderney Avelino (MA) pediu para acrescentar no requerimento o pedido para ouvir Saud. “Ele precisa fizer de que forma pagou propina para 1.890 políticos”, afirmou Avelino ao Broadcast. Em delação premiada, Saud afirmou que o frigorífico JBS distribuiu quase R$ 600 milhões em propina. Segundo ele, o grosso dos recursos foi destinado a candidatos em troca de contrapartidas no setor público.

Essa é  a segunda ação da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara contra a JBS. Na semana passada, o colegiado aprovou pedido de fiscalização, em conjunto com o Tribunal de Contas da União (TCU), para averiguar irregularidades cometidas pelo grupo J&F nos mercados financeiros e de capitais nacionais. A ação foi proposta pelo líder do DEM, Efraim Filho (PB), e contou com apoio de vários líderes da base aliada e da oposição.

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