Comissão da Câmara aprova adesão da Venezuela ao Mercosul

Mesmo com obstrução de deputados da oposição, Câmara consegue mínimo de votos ncessários para aprovação

Denise Madueño, do Estadão

24 de outubro de 2007 | 15h52

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou nesta quarta-feira, 24,  o protocolo de adesão da Venezuela no Mercosul. O PSDB e o DEM obstruíram a votação e se retiraram da Comissão. O placar registrou 16 votos, o mínimo necessário para a votação. Quinze deputados votaram a favor e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) se absteve. Foram cinco horas de discussões acaloradas que envolveram questionamentos sobre a situação política da Venezuela. As discussões tiveram teor político-ideológico.  Veja também:  Chávez acusa o Congresso brasileiro de submissão aos EUA Cronologia do impasse entre o Senado brasileiro e Hugo Chávez   "A postura extravagante para dizer o mínimo do presidente da Venezuela tem provocado tensionamento na America do Sul", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP). O deputado Fernando Gabeira criticou a falta de liberdade de imprensa no País. Outros deputados classificaram o presidente venezuelano de "ditador", "caudilho" e "golpista".  Alguns deputados defenderam o adiamento da votação lembrando que a Venezuela não cumpriu ainda as exigências necessárias como a apresentação do cronograma para aderir aos acordos do Mercosul.  Apesar de o DEM ter ficado contrário, o deputado Francisco Rodrigues (DEM-RR)ajudou a aprovar a adesão da Venezuela ao Mercosul votando a favor.  O projeto será votado ainda pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir para o plenário da Câmara. Depois disso, vai para o Senado Federal. O relator da proposta na Câmara, deputado Doutor Rosinha (PT-PR), afirmou que a partir da aprovação desta quarta a proposta tramitará em regime de urgência. Isso significa que se não for votado em 45 dias tranca os trabalhos do plenário. Debate acalorado Em um acalorado debate, alguns deputados chamaram Chávez de "ditador", enquanto outros descreverem o presidente venezuelano como um "generoso mandatário submetido sempre à vontade popular".  Vários deputados lembraram da proposta de reforma constitucional criada por Chávez, que inclui a possibilidade de reeleição ilimitada para o chefe de Estado. "Quem não acredita na democracia, não pode participar do Mercosul", disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).  Fernando Gabeira (PV-RJ), que se absteve de votar, disse que "não é claro se a Venezuela cumprirá a cláusula democrática do Mercosul".  Já Aldo Rebelo (PCdoB) apoiou a iniciativa, assegurando que não se tratava de uma decisão pela perspectiva ideológica e sim por razões de Estado. "Para o Brasil, é estratégica a presença da Venezuela no Mercosul", disse. 'Papagaio' dos EUA  No fim de maio, o Senado brasileiro aprovou uma moção para que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, reconsiderasse sua decisão de tirar a RCTV do ar. Em resposta, o presidente Chávez, em viagem a Manaus,  chamou o Congresso de "papagaio dos EUA". Na opinião dele, os parlamentares brasileiros "repetem como um papagaio" o que diz o Congresso americano em relação à situação venezuelana.  "Que triste para o povo brasileiro! Minhas condolências para esse povo que não merece isso. Um Congresso que repete como papagaio o que dizem em Washington", afirmara Chávez quatro meses atrás.Em junho, o presidente venezuelano declarou que  o Congresso  Brasileiro "repetia como um papagaio" o que dizem os congressistas americanos.  A partir daí, criou-se um mal-estar no Congresso e uma maior resistência para votar a adesão da Venezuela, inclusive, provocando seu adiamento e transferência para esta quarta-feira. A adesão da Venezuela ao bloco integrado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai também passará pelo Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, antes de ir ao Senado. O processo, disse o deputado Dr. Rosinha (PT-PR), demorará "no mínimo" até dezembro. O ingresso da Venezuela no bloco também depende do Congresso paraguaio. Texto atualizado às 19h40

Tudo o que sabemos sobre:
MercosulCâmara

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.