Comissão critica governo por não conter invasões do MST

Ministro da Justiça participa de audiência e é bombardeado por críticas à omissão do governo sobre sem-terra

Vannildo Mendes, do Estadão

22 de novembro de 2007 | 19h06

Por mais de quatro horas, o ministro da Justiça, Tarso Genro, foi submetido nesta quinta-feira, 22, a um bombardeio de críticas à omissão do governo em conter as invasões de terra promovidas no campo pelo MST, a Via Campesina e outras organizações de trabalhadores sem-terra. A crítica mais veemente veio do deputado ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO), que acusou os sem-terra de promoverem um "estado de terror" no Pará, com a conivência da governadora petista Ana Júlia Carepa, que estaria estimulando as invasões. As cobranças ocorreram em audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara, à qual o ministro compareceu por convocação e não por convite, como é praxe. Segundo Caiado, o País está atualmente com 160 fazendas invadidas por sem-terras, causando prejuízos de R$ 100 milhões aos proprietários. Dessas, 27 são no Sul do Pará, que lidera o ranking estadual das invasões. Ele usou slides para ilustrar "o vandalismo e o terror" promovido pelos invasores. As imagens mostram sedes de fazendas destruídas, plantações queimadas e cenas macabras de cabeças de gado fincadas em estacas das cercas dessas propriedades, em sinal de ameaça aos seus donos. Nessas propriedades, afirma o deputado, 100 mil cabeças de gado estão em poder dos invasores, que estariam devastando 250 mil hectares de reservas ambientais e instalando o "pânico e terror" entre os proprietários de terras, que a seu ver vêm sendo ameaçados e em alguns casos mantidos em cárcere privado pelos invasores. "Esses bandidos estão instalando a barbárie no País", criticou. Caiado incluiu, entre os atos de vandalismo do MST duas invasões recentes em áreas da Companhia Vale do Rio Doce, o que teria provocado a suspensão do transporte de 250 mil toneladas de ferro, com danos à economia brasileira e à imagem da empresa no exterior. Para o deputado o Pará foi tomado por uma corja de bandoleiros criminosos. "Não podem ser rotulados como movimento social, são ladrões e assassinos que atuam, protegidos pela bandeira do MST e da Via Campesina". Ele classificou o movimento como uma "máfia" que age por meio do terror e da chantagem. Tarso declarou, no entanto, que os movimentos que lutam pela terra são sociais e que a questão não é de polícia. "Polícia é para bandido, não para trabalhadores que lutam por seus direitos", declarou o ministro. Ele disse, porém, que os excessos cometidos por sem-terra serão combatidos na forma da lei e que o governo usará todo o seu poder para impedir violações do estado de direito, seja por parte dos proprietários de terra, ou dos invasores. "A Policia Federal não é polícia pretoriana de proprietários rurais e nem está aí para acobertar ilegalidades de invasores de terras". Ele garantiu que o governo tratará com o mesmo rigor "os abusos dos dois lados".

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