Comissão cobra desarmamento em Pernambuco

Ouvidor quer providências do governo estadual contra todo tipo de milícia, seja de fazendeiros ou sem-terra

Angela Lacerda, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

04 de março de 2009 | 00h00

Depois do assassinato de quatro seguranças por integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e das constantes denúncias de agressões e ameaças a trabalhadores por milícias privadas, a Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo vai pressionar o governo de Pernambuco visando a desarmar a área rural do Estado."A meta é que se tomem providências para acabar com todo tipo de milícia que está atuando na zona rural de Pernambuco, principalmente quando armada e ilegal", afirmou o ouvidor agrário nacional e presidente da comissão, Gercino Silva Filho. Ele frisou que a fiscalização não se limitará ao caso da morte dos seguranças, ocorrida em São Joaquim do Monte, no dia 21, nem às propriedades privadas. Abrangerá, também, acampamentos e assentamentos.A decisão foi tomada depois de uma reunião fechada de cinco horas, ontem, sob o comando do ouvidor agrário. Participaram representantes do MST, dos donos das fazendas Consulta e Jabuticaba - reivindicadas pelo movimento -, da Polícia Federal, Polícia Militar, comissão nacional e estadual de combate à violência no campo e promotoria agrária estadual. No encontro, no Recife, ficou acertada para hoje a desocupação da Fazenda Jabuticaba pelos sem-terra.FATOS CONCRETOSSegundo Gercino, o desarmamento ocorreria a partir de fatos concretos, levados ao conhecimento das autoridades para solicitar mandados de busca e apreensão. "A polícia vai fazer vistorias com respaldo do Judiciário para tentar localizar armas na zona rural.""É visível o armamento irregular dos engenhos e das fazendas", disse o líder do MST em Pernambuco, Jaime Amorim." Previu, porém, dificuldades no desarmamento, citando especificamente os engenhos. Indagado sobre o mesmo problema nos acampamentos, limitou-se a dizer que é "normal" no seu meio "ter algum tipo de arma".Porta-voz dos proprietários da Fazenda Jabuticaba, Solano Guedes, disse ter esperança no desarmamento e assegurou que as armas usadas pelos seguranças contratados pela Jabuticaba não pertenciam à propriedade. Ontem, o delegado de São Joaquim do Monte, Luciano Francisco Soares, informou que as três armas encontradas enterradas foram reconhecidas como pertencentes aos seguranças. Anteontem, Soares encaminhou parte do inquérito à justiça - em cumprimento a prazo judicial - no qual indiciou dois sem-terra, Aluciano Ferreira dos Santos, por homicídio qualificado, e Paulo Cursino Alves, por coautoria no crime. Alves teria fornecido armas para os companheiros usarem na chacina.

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