Beto Barata/AE
Beto Barata/AE

Comissão arquiva processos contra Fernando Pimentel

Ministro era investigado por negócios de consultoria e fretamento de jatinho para viagem à Europa

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2012 | 18h33

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu nesta segunda-feira, 22, arquivar os dois processos em tramitação que tinham como alvo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. O ministro é um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff. A comissão analisou dois casos: os negócios de consultoria de Pimentel, antes de assumir o cargo de ministro; e o fretamento de jatinho para viagem na Europa, quando ele já despachava na Esplanada dos Ministérios.

Em junho passado, o então conselheiro Fábio Coutinho havia defendido a aplicação de uma advertência a Pimentel por causa dos negócios de consultoria, voto acompanhado de Marília Muricy. Os dois conselheiros não foram reconduzidos ao cargo por Dilma, o que levou ao pedido de renúncia do então presidente da comissão, Sepúlveda Pertence. Com a nova composição, formada atualmente por quatro conselheiros, a Comissão de Ética arquivou os processos.

"A questão do uso do avião não tem problema nenhum. Ele não tinha outra opção. Ou ele ia, ou não ia e faltava ao compromisso. Tem uma resolução da Comissão de Ética dizendo que as autoridades poderão em certos casos usar os aviões dos patrocinadores dos eventos, desde que não tenham interesse sob julgamento dessa autoridade, e no caso não tinha", afirmou o conselheiro Américo Lacombe, que assumiu interinamente a presidência da Comissão de Ética.

A oposição via semelhanças entre a situação de Pimentel e a do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que saiu do governo devido à denúncia de ter o patrimônio ampliado em 20 vezes após a prestação de serviços de consultoria. Pimentel tornou-se alvo de denúncias de que sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010. Havia suspeitas de tráfico de influência.

Lacombe negou que a presidente Dilma Rousseff esteja interferindo nos trabalhos da comissão. "Isso não existe, ninguém me pediu nada, não tem essa, não. A renovação é faculdade da presidente, pode renovar ou não, eu pretendo não ser reconduzido, já antecipo pra vocês", disse.

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