Comissão apura ligação de oficial com morte de Zuzu

Em depoimento, ex-delegado identifica Freddie Perdigão, coronel apontado como agente da repressão, em foto do local do acidente que matou estilista

Roldão Arruda, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2014 | 22h33

O presidente da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, divulgou nesta sexta-feira, 25, uma imagem que, segundo sua avaliação, pode ajudar a confirmar que a morte da estilista Zuzu Angel, não foi acidental. Trata-se de uma foto feita pelo jornal O Globo no local do suposto acidente ocorrido na madrugada de 14 de abril de 1976, no Rio. Uma das pessoas que observam o carro tombado da estilista, segundo Dallari, seria o coronel Freddie Perdigão Pereira - um dos mais ativos agentes dos serviços de repressão das Forças Armadas na ditadura.

Quem fez a identificação do coronel para a Comissão foi o ex-delegado Cláudio Guerra, que também atuou nos serviços de repressão. Na quarta-feira, em depoimento à comissão, ele havia dito que ouviu Perdigão dizer na época que havia participado do atentado. Ele estaria preocupado com a possibilidade de ter sido fotografado no local.

Nesta sexta, Guerra apresentou a fotografia e identificou Perdigão, que morreu em 1997, entre as pessoas que observam o Karmann-Ghia da estilista.

O coronel atuou no Destacamento de Operações de Informações do Rio (DOI-RJ) e na Casa da Morte, centro de torturas que funcionava em Petrópolis. Conhecido nos porões pelo codinome Nagib, ele também participou da coordenação do atentado ocorrido no Riocentro, em 1981.

Para o coordenador da Comissão Nacional da Verdade, a imagem ajuda a comprovar o envolvimento do coronel e de outros militares na morte de Zuzu. “A foto permite avançar na confirmação de que Zuzu foi morta num atentado praticado por agentes públicos”, afirmou Dallari.

Estilista de alta costura, Zuleika Angel Jones morreu quando promovia campanhas para denunciar a morte de seu filho, o estudante Stuart Angel Jones, ocorrida em 1971. Segundo depoimentos de presos políticos, ele morreu após ter sido torturado na Base Aérea do Galeão, no Rio.

O suposto acidente com Zuzu aconteceu cinco anos depois, após o carro dela colidir na mureta de um viaduto na saída do Túnel Dois Irmãos e cair de um ribanceira. Em 1998, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos atribuiu ao regime militar a responsabilidade pela sua morte. Até hoje, porém, representantes das Forças Armadas negam qualquer participação no episódio.

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