José Cruz/Ag.Brasil
José Cruz/Ag.Brasil

Comissão apresenta mais pistas sobre Stuart Angel

À véspera da entrega de relatório, grupo mostra fotografia de crânio que teria sido retirado em 1976 de local onde suspeita-se que estudante foi morto

Leonencio Nossa , O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2014 | 23h11

Brasília - A Comissão Nacional da Verdade apresentou nesta terça-feira, 9, uma fotografia de um crânio retirado em 1976 da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, local onde o estudante de economia Stuart Edgar Angel Jones, filho da estilista Zuzu Angel, pode ter sido torturado e morto por agentes da ditadura militar, cinco anos antes. Esse resto mortal ainda não foi localizado.

O grupo também informou ter documentos que indicam o enterro dos estudantes secundaristas Joel Vasconcelos Santos, no cemitério Ricardo de Albuquerque, e Paulo Torres Gonçalves, no cemitério da Cacuia, também mortos pela repressão no Rio, em 1971 e 1969.

Um dos casos mais emblemáticos do período militar, o desaparecimento de Stuart Angel, na época com 26 anos, causou comoção na opinião pública, mesmo com a censura. A mãe do estudante, Zuzu Angel, fez um apelo a autoridades brasileiras e estrangeiras e mobilizou personalidades para saber as circunstâncias da morte do filho. Zuzu morreria num suposto acidente de trânsito, em 1976.

Pelas apurações de técnicos da Comissão Nacional da Verdade, Stuart Angel foi levado até a Base de Santa Cruz, sendo torturado. Lá, ele teria sido interrogado sobre o capitão Carlos Lamarca – o estudante estaria negociando a entrada do militar na organização guerrilheira MR-8. Depois, o corpo teria sido enterrado numa plantação de mandioca da base. 

Mais tarde, em 1976, uma construtora fez obras no campo da base e transferido um montante de terra para outra obra da empresa, no centro do Rio. A fotografia do crânio foi feita nesse local. Hoje, a Comissão apresenta seu relatório final a presidente Dilma Rousseff.


As indicações de que os estudantes Joel Vasconcelos Santos e Paulo Torres Gonçalves foram enterrados nos cemitérios legais do Rio foram obtidas após análise de fichas com impressões digitais de indigentes inumados em valas comuns. Tanto a localização do crânio da base quanto a identificação dos ossos de Joel e Paulo dependerão de exaustivas investigações. A fotografia do crânio foi enviada para a Universidade de Northumbria, na Inglaterra.

Médici. Prontuários médicos de três ex-presas políticas torturadas em 1970, durante a ditadura, foram localizados no acervo do ex-presidente da República Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e apresentados ontem em audiência da Comissão Estadual da Verdade do Rio. Cópias dos documentos foram entregues às famílias das vítimas. 

Um dos prontuários é o de Maria Dalva Leite de Castro, que ficou no Hospital Central do Exército de março a junho de 1970. Hoje com 68 anos, ela fez um depoimento emocionado. O acesso a prontuários de presos políticos internados no hospital durante a ditadura já foi feito pelas comissões estadual e nacional da Verdade. Diante de negativas dos militares, o Ministério Público Federal realizou com a Polícia Federal, em 14 de novembro, uma busca e apreensão no hospital militar autorizada pela Justiça. 

Tudo o que sabemos sobre:
anos de chumboStuart Angel

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.