Comissão agenda depoimento do prefeito de Campinas

A Comissão Processante (CP) instalada na Câmara de Campinas (SP) para apurar supostas irregularidades na administração Hélio de Oliveira Santos (PDT) decidiu hoje dar continuidade ao processo que pode levar ao impeachment do pedetista e marcou para 29 de junho o depoimento do prefeito e das 20 testemunhas de defesa arroladas na documentação entregue na semana passada pelo advogado de Santos, Alberto Luis Mendonça Rollo, além das testemunhas de acusação que serão definidas pelo autor do pedido de cassação, vereador Artur Orsi (PSDB), até amanhã.

TATIANA FAVARO, Agência Estado

13 de junho de 2011 | 19h57

"Vamos ficar até ouvir a última testemunha", afirmou o presidente da CP, vereador Rafa Zimbaldi (PP). "Decidimos pela continuidade porque a defesa apresentada pelo prefeito não foi suficiente para derrubar os fatos na denúncia apresentada", afirmou.

O advogado do prefeito defendeu a tese de que a denúncia feita pelo Legislativo é inepta por falta de provas e apoiou-se em documento da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo que diz não haver indícios de envolvimento de Santos na organização criminosa investigada pelo Ministério Público e acusada formalmente dos supostos crimes de formação de quadrilha, fraudes em licitações e corrupção. Dos sete suspeitos apontados na denúncia oferecida à 3.ª Vara Criminal de Campinas, cinco ainda estão foragidos, entre eles a primeira-dama de Campinas, Rosely Nassim dos Santos, e o vice-prefeito, Demétrio Vilagra.

Entre as testemunhas arroladas pela defesa de Santos para depor na Comissão Processante estão os ministros Carlos Lupi (Trabalho) e Orlando Silva (Esporte). Segundo o advogado do pedetista, "os ministros sabem das gestões do prefeito e são pessoas que acompanharam fatos importantes".

No início da noite de hoje, o prefeito disse, por meio de uma carta divulgada por sua assessoria, que em nenhum momento teve conhecimento ou muito menos participação em qualquer esquema ilícito. "Não há evidência mais incontestável dessa verdade do que a total ausência de menção a meu nome seja por meio do delator (Luis Aquino, réu confesso), do procurador, do juiz, ou das instituições Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) e Ministério Público", diz o prefeito na carta.

O pedetista disse estar tranquilo. E reiterou ter aceitado o pedido de afastamento de Aquino, ex-presidente da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa), foco de investigações do Ministério Público. Para Santos, está constatado que a "relação escusa" está instalada além do âmbito da administração pública. "Estes termos são aqueles que trazem à tona o caráter político e vil destas acusações que pesam contra mim, que visam a tão somente fomentar a instabilidade e macular, junto à opinião pública, uma administração longeva."

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