Comissão aceita pedido de impeachment de José Ignácio

A Comissão Especial da Assembléia Legislativa do Espírito Santo aceitou hoje o pedido de abertura do processo de impeachment do governador José Ignácio Ferreira (sem partido). "Há fortes provas de que houve improbidade administrativa e, por isso, nosso parecer é pelo recebimento da denúncia contra o governador", disse o relator da comissão, deputado Gil Furieri (PMDB).O relator citou seis casos de corrupção (que também são alvos de investigação do Ministério Público e da CPI da Propina) envolvendo o governador e argumentou que cinco deles "merecem análise" por haver indícios de crime de responsabilidade, omissão ou negligência de Ferreira. Os trabalhos foram interrompidos pelo deputado José Tasso (PFL), aliado do governador, que pediu vistas do processo e mais 24 horas para que o relatório fosse melhor apresentado aos deputados. A maioria, no entanto, discordou e permitiu que ele tivesse apenas 30 minutos. Caso o processo de impeachment seja aberto pelo plenário, o governador ainda terá 20 dias para se defender. E, somente após uma segunda aprovação do plenário, Ferreira poderá ser afastado do cargo por até 180 dias.O pedido de impeachment é baseado nas acusações de corrupção e cobrança de propinas que teriam sido organizadas por ex-secretários de Estado, como a primeira-dama, Maria Helena Ruy Ferreira, e o irmão dela Gentil Ruy. O governador é acusado de omissão e cumplicidade.As investigações começaram em abril, quando foi aberta a CPI da Propina para apurar denúncias apontadas em um dossiê com fitas que mostravam a cobrança de propinas. Há ainda seis inquéritos sendo apurados no Ministério Público, o que levou à prisão de vários envolvidos, entre eles o cunhado do governador.O governo de Ferreira está paralisado desde abril e o governador acuado politicamente. Ele foi obrigado a deixar o PSDB (partido do qual se dizia fundador) e sofre com a intervenção da Executiva Nacional no diretório regional, que, até a semana passada, estava sob seu controle. Na última sexta-feira, Ferreira já havia apresentado uma defesa prévia. No documento, ele diz que as acusações não têm fundamento e argumenta que o pedido é uma manobra política dos partidos de oposição. "Só há defesa, quando existe acusação. E tudo que está no pedido de impeachment não envolve o governador", disse o advogado João Mestieri.O juiz Nélson Barbi, da 7ª Vara Criminal, deverá decidir nesta terça-feira os pedidos de prisão preventiva (por tempo indeterminado) de Gentil Ruy, Raimundo Benedito de Souza Filho e mais seis acusados do desaparecimento de R$ 4,3 milhões dos cofres públicos. Os promotores também apresentaram denúncia contra os envolvidos.Ruy está preso há duas semanas. Ele é acusado de organizar um esquema que transferiu R$ 4,3 milhões, que haviam sido depositados em uma conta da Fundação Augusto Ruschi e que seriam usados em um suposto projeto ambiental, para três contas particulares de seu amigo Bené, que também está preso.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.