Comercial-surpresa é arma de candidatos

A partir desta terça-feira, com a estreia da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, a alta exposição dos principais adversários será o maior obstáculo para Celso Russomanno (PRB) em sua tentativa de conquistar a Prefeitura de São Paulo. Um dos líderes nas pesquisas eleitorais, o candidato está em quarto lugar no ranking de tempo de TV em São Paulo.

BRUNO LUPION, BRUNO BOGHOSSIAN, JULIA DUAILIBI E DANIEL BRAMATTI, Agência Estado

21 de agosto de 2012 | 08h49

Na primeira semana de propaganda, Russomanno aparecerá em 31 inserções distribuídas ao longo da programação das emissoras. Serão cerca de 15 minutos de exposição, 38 minutos a menos que cada um dos adversários do PSDB (José Serra) e do PT (Fernando Haddad).

As inserções são consideradas os instrumentos mais efetivos do marketing político, pois atingem até a população que "foge" do horário eleitoral fixo, ao se misturar à propaganda comercial das 8h às 24h, sete dias por semana.

Até o dia 4 de outubro, serão exibidos 30 minutos diários de inserções em cada emissora, em spots de 15, 30 ou 60 segundos. As peças são divididas entre os candidatos de forma proporcional - as coligações maiores ficam com mais tempo.

Para cada inserção de Russomanno, do minúsculo PRB, serão exibidas sete em que estarão ou Serra ou Haddad.

Somados horários fixos e inserções, o tucano e o petista ocuparão, nos primeiros sete dias de campanha, quase 1 hora e 40 minutos em cada emissora. Isso significa que cada um terá vantagem total de 1 hora e 10 minutos de exposição semanal em relação a Russomanno em cada emissora.

Serra e Haddad ficaram com exatamente o mesmo quinhão na divisão do tempo de propaganda, pois suas coligações empataram no quesito representação na Câmara dos Deputados. Segundo a Lei Eleitoral, o número de parlamentares baliza a divisão de dois terços da propaganda, e o terço restante é distribuído igualitariamente entre todos os concorrentes.

O PT, para ampliar a exposição de seu representante, fará com que ele ocupe também o espaço destinado à propaganda dos vereadores. O petista aparecerá pedindo votos para candidatos de sua coligação à Câmara Municipal - uma brecha prevista na própria Lei Eleitoral.

Mas isso não acontecerá hoje - o PT chegou a avaliar a possibilidade de antecipar a estreia de Haddad, mas preferiu apresentar seu candidato no horário fixo somente amanhã, no espaço destinado aos prefeitos.

As campanhas do PSDB e do PRB não pretendem se valer agora da brecha de usar o horário dos vereadores - Serra e Russomanno, assim como Haddad, só devem estrear amanhã no horário fixo da propaganda.

Candidatos a prefeito podem aparecer nos programas dos candidatos a vereador de suas coligações, mas somente para pedir votos para os próprios vereadores, segundo a Lei Eleitoral. Caso contrário, a candidatura pode ser punida com perda de tempo.

Advogados de todas as campanhas estão preparados para recorrer à Justiça Eleitoral se adversários usarem o tempo dos vereadores para promover suas candidaturas a prefeito.

Serra usará seu tempo na TV para expor sua biografia e apresentar suas propostas de governo, além de promover seu jingle de campanha. O PSDB já gravou nove inserções com esses temas.

Para o PT, o tempo de exposição será decisivo para tornar seu candidato mais conhecido e para associá-lo aos nomes de Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff.

Com apenas 9% de intenção de voto e atrás de Serra e Russomanno, segundo a última pesquisa Ibope, Haddad está longe dos patamares atingidos por petistas em outras campanhas em São Paulo. Desde 1988, o partido ficou em primeiro ou segundo lugar em todas as disputas realizadas na cidade e venceu a eleição naquele ano e em 2000.

Tecnologia de Hollywood

As campanhas do PT e do PSDB passaram a usar câmeras de altíssima geração, usadas por cineastas europeus e norte-americanos, para captar imagens de seus candidatos, o petista Fernando Haddad e o tucano José Serra, respectivamente.

No front petista, o marqueteiro João Santana usa a Alexa, da alemã Arri, cujo valor é de cerca de US$ 60 mil. Já a campanha tucana, comandada por Luiz Gonzalez, comprou a Epic, da americana Red Digital Cinema, que custa a partir de US$ 35 mil.

A Alexa foi usada por Lars Von Trier no filme Melancolia, e a Epic, na produção de Piratas do Caribe. As imagens dessas câmeras têm resolução quatro vezes maior que a de full HD. Mas, apesar do investimento, os programas são enviados em fita analógica ao Tribunal Regional Eleitoral, para poderem ser exibidos em todos os canais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Tudo o que sabemos sobre:
eleições 2012SPhorário gratuito

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.