Começa na próxima semana busca por ossadas no Araguaia

Vannuchi protesta, mas Jobim convence Lula de que operação cumpre ordem judicial

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

02 de julho de 2009 | 00h00

A comissão criada no Ministério da Defesa para fazer uma operação de busca de ossadas de mortos na Guerrilha do Araguaia (1972-1975) começará os trabalhos na próxima quarta-feira. Apesar das queixas do ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, insatisfeito com o fato de a operação ter ficado sob o comando do ministro Nelson Jobim (Defesa), ficou definido que a tarefa vai ser levada adiante. Especial Arquivo Curió: Araguaia ganha nova versãoVannuchi, Jobim e Lula se reuniram na segunda-feira à noite para discutir o assunto. Jobim mostrou a Lula que a criação da comissão e o início dos trabalhos não é uma decisão de civis ou militares. "Trata-se de cumprir uma decisão do Judiciário, que mandou o governo fazer uma busca das ossadas que existam nos locais onde se deu o conflito", disse o ministro.LOGÍSTICAOs militares serão parte integrante do grupo de trabalho, mas, segundo Jobim, apenas para ajudar na logística e garantir que "não será por falta de apoio que a operação vai deixar de cumprir a missão". Os militares, acrescentou o ministro, "não vão se envolver na procura de ossos ou promover qualquer tipo de interferência no processo de busca legal e independente".A comissão, criada dois meses atrás e formada por 33 membros, foi fechada ontem. Inclui oito nomes do Ministério da Defesa (Comando do Exército), dois do Estado do Pará (por ser a região do conflito dos anos 70 e a base territorial da procura dos ossos), oito médicos e peritos independentes, três integrantes da Advocacia Geral da União (AGU), três da Polícia Federal, um professor e um técnico da Universidade de Brasília (UnB) e três observadores independentes - dois da Associação dos Juízes Federais (Ajufe) e Aldo Arantes, do PC do B.Para atender Vannuchi, que queria que a busca fosse feita por uma comissão liderada pela Secretaria de Direitos Humanos, ficou acertado que o grupo de trabalho contará também com uma espécie de "comissão de supervisão". Os nomes serão indicados pela secretaria.Lula entendeu que a logística militar preparada pelo Comando do Exército, apesar da discordância de Vannuchi, é fundamental para evitar que, mais uma vez, o governo vá para a região à procura de ossos e fracasse.MAPEAMENTOPara montar a infraestrutura de apoio ao trabalho da comissão, oficiais do 52º Batalhão de Infantaria de Selva, de Marabá, percorreram, na segunda quinzena de maio, a Serra das Andorinhas, no sul do Pará, região indicada em relatórios como local de combates e sepultamento de integrantes da guerrilha. A região de Três Quedas, no município de São Geraldo do Araguaia, foi um dos lugares mapeados recentemente pelos militares.Na semana passada, a Defesa disse ao Estado que o Exército percorreu a região para "adiantar os trabalhos da comissão, reconhecendo os locais que deverão ser vasculhados". Segundo o ministério, ''a parte do Exército está pronta, esperando a indicação das pessoas para que se iniciem os trabalhos''.Os nomes já definidos do Grupo de Trabalho do AraguaiaBUSCA DE OSSADASA - Do Ministério da Defesa (Comando do Exército) General de Brigada Mario Lucio Alves de Araujo Coronel de Infantaria Humberto Francisco Madeira Mascarenhas Coronel de Infantaria Anísio David de Oliveira Júnior Coronel de Infantaria Edmundo Palaia Neto Tenente-Coronel de Infantaria Amauri Silvestre Tenente-Coronel de Artilharia Márcio Kazuaki Fusissava Tenente-Coronel Engenheiro Alfredo Alexandre Júnior Capitão de Infantaria Adriano Ocanha B - Do Estado do Pará José Roberto da Costa Martins Paulo César Fontelles de Lima FilhoC - Do Distrito Federal Valdir Lemos de Oliveira Cléber Monteiro FernandesD - Da Advocacia Geral da União Fábio Gomes Pina, advogado da União Ruth Jeha Miller, advogada da União Artur Vidigal de Oliveira, procurador federal E - Do Museu Emilio Goeldi Ivete Nascimento, antropóloga Rodrigo Peixoto, antropólogoF - Da Polícia Federal Marcelo de Lawrense Bassay Blum, geólogo Jefferson Evangelista Corrêa, médico Anderson Flores Busnello, odontólogoG - Do Distrito Federal Elvis Adriano da Silva Oliveira, médico legista Ricardo César Frade Nogueira, médico legista José Geraldo Ponte Pierre Filho, médico legista Cristofer Diego Beraldi Martins, médico legista Aluísio Trindade Filho, médico legista Cláudia Regina B. de O. Mendes, perita criminalH - Da UNB Wellington Rodrigues Borges, professor de geologia Péricles de Brito Macedo, técnicoI - Observadores independentesFernando Mattos, da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e Antonio Hermann Benjamin, ministro do Superior Tribunal de JustiçaJ - Do PC do B Aldo da Silva Arantes

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