Começa julgamento de 124 PMs do caso Carajás

Sem três assistentes da acusação, o Tribunal de Justiça do Pará começou a julgar nesta segunda-feira 124 policiais militares acusados pela morte de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), em 17 de abril de 1996. Deveriam estar no banco dos réus 127 homens das tropas de Marabá e Parauapebas, mas o soldado Lindon Johnson foi expulso da corporação e está foragido, outro ficou doente e o terceiro teve o nome trocado na intimação. O juiz Roberto Moura vai avaliar o caso para decidir sobre a data do julgamento dos três.Até o final da tarde haviam sido ouvidos os depoimentos de cerca de 50 acusados. Nenhum deles disse ter atirado ou visto quem atirou nos sem-terra. Todos afirmaram que usavam identificação nas fardas e quem atirou disse que foi para o alto. Nenhuma das testemunhas arroladas no processo quer depor diante de tantos réus. Todas temem represálias e estariam recebendo ameaças de morte.O juiz recusou pedido dos advogados Marcelo Freitas, Marco Apolo Leão e Hernandes Margalho, assistentes da promotoria, para que o julgamento fosse suspenso por ser, segundo eles, física e juridicamente impossível julgar todos os réus numa única sessão. "Não vejo nenhuma razão para isso", alegou Moura.Indignados com a decisão, os três assistentes se retiraram do salão do júri antes do começo da sessão, prometendo ingressar com recurso no Tribunal de Justiça (TJ) para suspender o julgamento. "Não vamos participar desse pacto de absolvição", disse Freitas.Os promotores Marco Aurélio do Nascimento e Rui Barbosa lamentaram a decisão dos assistentes, garantindo que estão em condições de conduzir sozinhos o julgamento. Para eles, é melhor fazer tudo de uma só vez do que dividir o julgamento em oito ou dez sessões, como queriam os três assistentes.

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