Começa hoje em SP boicote de médicos a planos

O boicote de médicos a oito planos de saúde na cidade de São Paulo está marcado para começar hoje. Mas a rotina de alguns consultórios já foi alterada em função da simples ameaça de paralisação. Na clínica onde trabalha o ortopedista José Ruy Sampaio, por exemplo, os pacientes passaram a ser avisados do boicote na terça-feira.Para surpresa das atendentes, só 10% da pessoas ligaram para a clínica em busca de informações sobre o movimento. Mais: 70% dos pacientes que tinham hora marcada para depois do dia 30 cancelaram as consultas. "É o preço que teremos de pagar. Nunca os médicos estiveram tão unidos para reivindicar aumento dos honorários." A otorrino Maria Silva, que só atende pacientes conveniados, enfrentou situação parecida. Em 15 de julho, quis cobrar o valor fixo de R$ 42 de todos os pacientes do dia para testar a reação deles. "Todos cancelaram a consulta, alegando não ter dinheiro", diz ela. "Agora, não sei como agir. Quero aderir ao boicote, mas sei que vou perder clientes." Início do movimentoO boicote da classe médica já atinge 17 estados e o Distrito Federal. Ele começou na Bahia, em 15 de março. Os médicos baianos vivem hoje um impasse. Como obtiveram uma liminar que obrigava as duas seguradoras envolvidas no Estado - Bradesco Saúde e SulAmérica - a dar remuneração por meio da tabela da Classificação Brasileira de Procedimentos Médicos (CBHPM) atualizada, os médicos decidiram voltar a aceitar os cartões das duas seguradoras.Contudo, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a liminar. O julgamento deve ocorrer nos próximos dias. Os profissionais decidiram não penalizar mais os pacientes enquanto o caso estiver sendo julgado. Caso sejam derrotados, pretendem retomar o boicote.O movimento consiste em cobrar do consumidor R$ 42 (com variação de 20% para mais ou para menos), quantia mínima reivindicada por consulta. O preço médio hoje pago aos profissionais fica em torno de R$ 25 no País. As entidades preconizam também que o profissional deixe de atender qualquer procedimento pelas seguradoras. Com exceção dos casos em que o médico seja funcionário do hospital, de laboratório ou atenda em serviços de emergência, como UTI e pronto-socorro, o paciente terá de pagar ao médico o valor da tabela de procedimentos para depois pedir reembolso à seguradora. Além do reajuste, o movimento pede a atualização da CBHPM. Entre elas, está a inclusão de 500 novos procedimentos. Nota oficialA Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg) divulgou ontem nota oficial sobre o movimento: "As seguradoras já pagam os maiores valores de consultas e honorários médicos. Em julho de 2003, já haviam aumentado a remuneração dos médicos referenciados e a Fenaseg acredita que os médicos paulistas saberão reconhecer essas providências concretas que foram adotadas por suas afiliadas. Não há motivos, portanto, para a paralisação, que somente trará transtornos para os segurados."Tire suas dúvidas sobre os planos de saúde

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