Alan Santos/PR
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Bolsonaro leva Edir Macedo e Silvio Santos para desfile da Independência

Presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, não participaram do evento; lideres evangélicos acompanharam celebração no palanque presidencial

Felipe Frazão, Mateus Vargas, Patrik Camporez, Renato Onofre e Tania Monteiro, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 09h21

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro recebeu o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, e o dono da rede de televisão SBT, Silvio Santos, no palanque presidencial montado para abrigar autoridades durante o desfile do Dia da Independência, realizado neste sábado, 7, em Brasília. A dupla acompanhou o evento ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, os três filhos do presidente, ministros do governo e os empresários Marcelo Carvalho, vice-presidente da RedeTV, e Luciano Hang, dono da Havan.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), compareceu aos desfiles acompanhado do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) e Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente interino da Câmara dos Deputados, que representa o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que está em viagem oficial ao Oriente Médio até 10 de setembro. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, também não compareceu — ele cumpre agenda em Londres.

O desfile foi marcado pela quebra de protocolo por Bolsonaro, que desceu do palanque presidencial e percorreu a esplanada acompanhado de seguranças e dos ministro Sergio Moro (Justiça), general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil). A segurança foi pega de surpresa. Atrás do palco, as entradas foram fechadas, e também ocorreu um reposicionamento dos carros oficiais.

Bolsonaro cumprimentou o público presente no desfile aos gritos de “mito”. As pessoas presentes também fizeram coro ao ministro da Justiça e gritaram “Moro”. Em vários momentos, Bolsonaro e Moro caminharam abraçados.  A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP) saiu do desfile logo após a quebra do protocolo. Vestindo um vestido amarelo, a exemplo da primeira-dama Michelle Bolsonaro, ela disse que a proximidade entre Bolsonaro e Moro é uma demonstração do respeito do presidente pelo ministro da Justiça.

"Não há crise. Tudo vai muito bem e obrigado", afirmou.​

Ao fim do percurso, formado por 24 arquibancadas de um lado da pista e 16 do outro, além de seis tribunas para autoridades e um palanque presidencial, Bolsonaro parou em frente a uma banda militar, pegou a batuta e brincou como se estivesse regendo os músicos. A iniciativa do presidente levou à paralisação do evento por quase 20 minutos.

Os pastores Romildo Ribeiro Soares, conhecido como Missionário R. R. Soares, fundador e líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, e o bispo Robson Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra, também participaram do evento. Ambos estavam no palanque presidencial, juntamente com o bispo Edir Macedo, fundador da Universal do Reino de Deus.

"Foi um momento de louvor à pátria", afirmou Rodovalho.

Convocação. Antes de deixar o Palácio do Alvorada, o presidente havia convocado todos os brasileiros a comparecerem às comemorações do Dia da Independência em suas cidades. “Independência de nada vale se não tivermos liberdade, essa por tantas e tanta vezes ameaçada por brasileiros que não têm outro propósito a não ser o poder pelo poder”, disse.

A adesão do público ao pedido de Bolsonaro, para que todos vestissem verde-amarelo, foi relativa. Uma parte dos presentes atendeu à solicitação, mas muitos compareceram de branco - é a cor do uniforme de muitas escolas, que participam do desfile todos os anos.

Bolsonaro deixou a residência oficial no Rolls Royce presidencial, com um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro, sentado no banco traseiro, e de Ivo Cesar González, menino de 9 anos que foi convidado pelo presidente a acompanhar o percurso. Na chegada à Esplanada dos Ministérios, onde ocorre desfile, crianças o receberam com gritos de “mito”.

Após o evento, Bolsonaro deixou o desfile sem falar com a imprensa. Ainda neste sábado, o presidente embarcará para São Paulo para realizar cirúrgia para correção de hérnia incisional.

Os ministros que estavam na tribuna do presidente também foram embora sem dar declarações - entre eles Sérgio Moro, Augusto Heleno, e Onyx Lorenzoni, que caminharam com Bolsonaro no asfalto. Todos ficaram até a última apresentação do desfile, fechado pela Esquadrilha da Fumaça.

Hino nacional. Como o Estado revelou, a maioria dos 22 ministros aceitou cantar o Hino Nacional em vídeo apresentado neste sábado durante cerimônia em Brasília. Participaram da ação os generais Augusto Heleno (GSI), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e o almirante Bento Albuquerque (Minas e Energia) e ainda o ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública).

As filmagens foram feitas nos últimos dias e os participantes mantiveram segredo em suas redes sociais. O presidente Jair Bolsonaro e a primeira-dama, Michelle, também participam do vídeo.

São Paulo. Apesar da conclamação do presidente para que a população fosse aos desfiles trajando verde-amarelo, a adesão dos paulistanos ao desfilo de Dia da Independência não foi tão grande. Nas arquibancadas, as pessoas trajavam roupas de todas as cores e quem compareceu ao Anhembi encontrou um ambiente tranquilo para assistir aos desfiles cívicos.

A comissária de bordo Fabiana Souza estava como marido, André Pereira, e a filha, Manuela Pereira, pela primeira vez em um desfile de 7 de Setembro. Moradora de Santo André, na Grande São Paulo, ela diz que o objetivo era ensinar para a filha o sentimento de patriotismo. “Quando eu estava na escola, a gente desfilava no dia 7 de Setembro e cantava o Hino Nacional. Isso não tem mais”, disse. A filha veio com uma capa com o desenho da bandeira nacional e o marido trajava camisa verde, mas Fabiana, de camiseta azul, garante que não estava lá para apoiar nenhum partido. “É só por patriotismo. Queremos fazer do Brasil o que ele era antigamente”. /COLABOROU HAIRTON PONCIANO e PAULO ROBERTO NETTO

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