Combustível causou explosão em Alcântara, dizem especialistas

A causa mais provável da destruição do Veículo Lançador de Satélites, o VLS-1, na base de Alcântara (MA) é a explosão das células de combustível sólido dos foguetes propulsores. O material, à base de perclorato de amônia, é altamente instável.A opinião "com as reservas impostas pela distância" é do engenheiro espacial George Fakas, ex-diretor técnico do programa espacial francês. Um dos responsáveis pelas duas primeiras gerações de veículos Ariane - um sucesso comercial no mercado de lançamento de satélites - ele lembra que "na fase de desenvolvimento houve muitos contratempos, com a perda de pelo menos cinco unidades experimentais e de série". Os foguetes Ariane utilizam combustível líquido (uma combinação de oxigênio com componentes da série Hg), menos agressivo. A hipótese de que a ignição tenha sido iniciada acidentalmente, durante os ensaios que deveriam preceder o início da contagem regressiva até o momento do disparo, é partilhada por dois brigadeiros da reserva da Aeronáutica. Engenheiros, ligados ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA), ambos lembram que, desde o início dos anos 80, quando o VLS foi projetado, o tipo de combustível tem sido motivo de discussão entre as equipes técnicas envolvidas.MilitaresA rigor, o tipo sólido é adotado em sistemas bélicos, mísseis e foguetes de emprego militar. A queima é intensa, violenta e rápida. O líquido produz uma combustão mais lenta, gradual e permite certa margem de controle. Os grandes mísseis nucleares de alcance intercontinental são carregados com essa variante. O processo que deflagrou a detonação também pode ter sido originado por uma falha elétrica na placa que deveria emitir os impulsos de disparo dos foguetes a intervalos de um nanossegundo (25.ª parte de um segundo) para obter resultados progressivos. A iniciação simultânea do processo implicaria uma concentração devastora de energia. O VLS-1, com seus 20 metros de comprimento e capacidade de transporte de ogivas de 300 quilos (há uma segunda geração em projeto capaz de transportar 600 quilos) esteve ao longo de dez anos - de 1985 a 1995 - na agenda das pendências entre o Brasil e os Estados Unidos. Relatórios das agências de inteligência americanas indicaram em 1983 que o bem desenhado foguete civil brasileiro encobria um ambicioso projeto: a construção de um míssil da classe MRBM (Míssil Balístico de Médio Alcance), vetor de ogivas atômicas. A Argentina, que polarizava com o Brasil a hegemonia militar na América do Sul desenvolvia o míssil Scorpion, testado secretamente na base da província de La Rioja em março de 1984. Ambos os empreendimentos eram financiados com dinheiro do Iraque, garantia o relatório da Agência Central de Inteligência (CIA) apresentado no mesmo mês em Washington.Leia mais sobre o assunto nos links abaixo.

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