Combate à violência no Rio pode esperar: FHC está irritado

Um comentário maldoso atribuído ao governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, irritou o presidente Fernando Henrique Cardoso e provocou o adiamento do anúncio da liberação de R$ 395 milhões para o combate à violência no Estado. Segundo nota publicada pelo jornal carioca O Dia, Garotinho teria chamado Fernando Henrique de "Fernandinho Beira Lago" numa comparação ao narcotraficante Fernandinho Beira Mar.O anúncio da liberação de verbas seria feito hoje, pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, que cancelou a ida ao Rio de Janeiro no final da manhã de ontem. Garotinho ainda tentou remediar o mal estar, emitindo nota oficial negando ter feito tal comparação e enviando-a ao gabinete do presidente em Brasília. O teor da nota irritou ainda mais o presidente Fernando Henrique.Por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazière, o presidente classificou de "malicioso" o desmentido de Garotinho. "O presidente apenas tomou conhecimento da declaração por meio de desmentido malicioso feito pelo governador", comentou Lamazière. Cardoso participaria hoje, no Rio, de solenidade de lançamento do Plano Nacional de Combate à Violência na região metropolitana da capital. Oficialmente, a assessoria do ministro não explica porque a ida ao Rio e a solenidade foi adiada. Assessores palacianos, entretanto, confirmaram que o cancelamento ocorreu depois que Cardoso tomou conhecimento da nota e do desmentido. "O general desistiu da viagem em razão da declaração ofensiva ao presidente", disse um assessor do Planalto.Garotinho esteve anteontem em Brasília para participar de reunião do PC do B no espaço cultural da Câmara dos Deputados. Parlamentares que participaram do encontro, como Aldo Rebello (PC do B/SP), contam que o governador fez várias críticas à política econômica de Fernando Henrique, mas negam tê-loouvido chamar o presidente de Fernandinho Beira Lago. O encontro com parlamentares do PC do B e de outros partidos da oposição ocorreu no mesmo momento em que o traficante Beira Mar era ouvido pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

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