Combate à pobreza continua insuficiente, alerta ONU

Passados seis anos da primeira Conferência Mundial do Desenvolvimento Social da ONU, em Copenhague, Dinamarca, as metas de combate à pobreza no planeta, tiradas no encontro, continuam sendo utopia. Dos 140 países que participaram da conferência, entre os quais o Brasil, apenas 31% estabeleceram prazos para reduzir a miséria e 29% colocaram em prática planos específicos para este fim, nos últimos cinco anos. A revelação foi feita pelo coordenador de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), José Carlos Libânio. Ele fez palestra no seminário "Ciência e Pobreza no século 21", promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e pela Academia Brasileria de Ciências. "Fixar prazos de desenvolvimento humano é tão importante quanto estabelecer metas antiinflacionárias ou de redução do déficit público", lembrou. Libânio ressaltou ainda que, dos 140 países que assinaram o protocolo de Copenhague, 77% conseguiram traçar estimativas nacionais para a pobreza e outros 69% formularam algum tipo de planejamento para o combate do problema. "O Brasil não foge à regra. Nesse últimos anos, apenas a Comissão de Assuntos Sociais da Câmara discutiu metas de combate à pobreza, mas nada saiu do papel", disse. Segundo o último relatório do desenvolvimento humano da ONU, divulgado em julho, o Brasil ocupava, em 2000, a 69ª posição no ranking de 162 nações no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede indicadores de saúde, educação, esperança de vida e renda. A situação brasileira é muito próxima à da África do Sul. Brasileiros e sul-africanos têm o índice de desigualdade de 59,1 e 59,3, respectivamente. Só ficam acima de Suazilândia (60,9) e da Nicarágua (60,3). "O que existe no Brasil é uma grande desproporção entre a renda per capita e o grau de desenvolvimento na áreas de saúde e educação", afirmou Libânio, que citou, como exemplo, o ranking do IDH dos 26 países da América Latina e Caribe, no qual o País figura em 14ª lugar. "Quando só consideramos a renda, o Brasil melhora a sua posição, caindo para 9º lugar, mas, se olharmos apenas para os indicadores de expectativa de vida e educação, ele sobe para 20ª posição no mesmo ranking", disse.

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