Combate à dengue envolve metade da população

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) calcula que 80 milhões de pessoas, quase metade da população brasileira, tenham sido mobilizadas hoje em todo o País no primeiro dia nacional de combate à dengue. Segundo dados coletados até as 14 horas, 4.977 das 5.561 prefeituras (86,5%) realizaram ações de controle do Aedes Aegypti e mais de 1,5 milhão de pessoas participaram das equipes de mobilização. A Funasa comemorou o sucesso da campanha e estabeleceu que a data nacional de luta contra a doença se repetirá todo ano no penúltimo sábado do mês de novembro.Os dados parciais mostram que o estado da Bahia foi o que teve o maior engajamento, proporcinalmente ao total da população. Cinqüenta mil voluntários levaram informações sobre os métodos de prevenção da dengue a 12 milhões de pessoas. A Funasa acredita que a forte participação se deve à epidemia vivida em Salvador no último verão. No Rio, Estado brasileiro mais atingido na estação (foram 260 mil casos, com 83 mortes), 560 mil pessoas trabalharam e 10 milhões receberam as explicações. Em São Paulo, 90% das prefeituras se organizaram e 22 milhões de pessoas participaram da campanha. Mais de 717 mil imóveis, entre residências, borracharias, cemitérios e outros lugares públicos foram visitados hoje no País, ainda pelos dados parciais. Vinte e quatro mil toneladas de lixo foram recolhidas. Os números totais serão divulgadas na próxima quinta-feira pela Funasa, em Brasília.O presidente da Funasa, Mauro Ricardo Costa, disse que as ações do Dia D fazem com que a população incorpore o hábito de verificar possíveis criadouros do mosquito dentro de casa pelo menos uma vez por semana. Ele lembrou que 90% dos focos estão dentro das unidades residenciais, que somam 52 milhões em todo o Brasil. "A prioridade do nosso programa é a mobilização social e a introdução de novos hábitos", disse Costa, que considerou o combate à dengue "a maior mobilização já feita pela saúde pública na história do Brasil".Costa anunciou ainda que, a partir da semana que vem, a Funasa distribuirá às prefeituras uma minuta de decreto para permitir que as administrações municipais entrem nas residências cujos donos não permitem a visita dos agentes de saúde. No Rio, por exemplo, a cada dez casas, três não são vistoriadas porque os moradores não permitem. A Funasa se reuniu com juristas para se certificar da legalidade da medida. "O direito coletivo à saúde se sobrepõe aos direitos individuais garantidos pela Constituição", afirmou Costa. Pelo decreto, os agentes poderão recorrer à força policial para realizar seu trabalho.

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