Combate à CPI devolve coesão à base aliada

Não há papel assinado nem tampouco houve uma reunião formal entre o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), os líderes da base governista para pactuar um "acordão". Apesar disso, e a despeito das negativas de todas as partes, representantes de cada grupo admitem nos bastidores um acerto geral que preferem chamar de "recomposição". O presidente Fernando Henrique Cardoso nega veementemente envolvimento do Palácio do Planalto em qualquer acordo, apesar de saber de participação tucana nas articulações."Este é o tipo do acordo que dispensa até conversa para as pessoas se entenderem", diz um interlocutor do presidente do Senado, que acompanhou de perto as articulações discretas entre partidários de ACM e peemedebistas ilustres. "São as circunstâncias que aproximam todo mundo, porque todos querem ser salvos das dificuldades", completa um carlista. Ambos defendem a "recomposição" que vai permitir aos aliados a retomada do comando do processo político, até agora nas mãos dos partidos de oposição, que conseguiram levar a CPI da Corrupção ao plenário do Congresso. Amigos de Jader e ACM insistem que não foi preciso selar nenhum pacto para pôr fim às agressões entre os dois cardeais da base aliada, "simplesmente porque ambos concluíram que poderiam acabar vítimas do fogo alheio se alimentassem com muita lenha a fogueira que queimava o adversário". Somou-se a isto, o sentimento de que a CPI seria tão danosa para o governo, agora, quanto para seus aliados em 2002. "Não ia sobrar ninguém depois desta história", sentencia um cardeal do PMDB.Um dos articuladores do Palácio do Planalto diz que o governo montou uma "operação de guerra" eficiente para barrar a CPI, mas avalia que a grande ajuda foi dada pela própria oposição, que criou a conjuntura favorável à recomposição. "A oposição cometeu muitos erros, e um deles foi se precipitar na apresentação do requerimento", concorda o líder pefelista na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). Eles avaliam que o grande equívoco da oposição foi ter trabalhado a CPI da Corrupção ao mesmo tempo em que ACM é julgado pelo Conselho de Ética do Senado. Por este raciocínio, quando o governo se viu em apuros e decidiu pôr em ação sua força-tarefa para livrar-se da CPI, acabou envolvendo Jader e ACM na tese da recomposição da base. Os líderes de oposição acusaram o golpe. "Apesar das juras em contrário, eu sinto de novo um cheiro de pizza no ar e acho que as forças políticas da base selaram o acordão", resumiu o líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES). "A repercussão na opinião pública será um desastre, mas avalio que eles estão dispostos a pagar o preço".A oposição está convencida de que os baianos saíram da CPI certos de que montaram uma rede de proteção a ACM no Senado e promete "checar o movimento? na próxima reunião do Conselho de Ética, quando será discutida a punição cabível aos envolvidos na violação do painel de votação do Senado.

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