Comando de Fleury gera impasse na CPI do Banespa

A eleição do deputado Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP) para presidir a CPI do Banespa criou um impasse na Câmara e ameaça a própria investigação. Partidos da base governista e da oposição vetaram a escolha, mas Fleury reafirmou que "não há hipótese" de renunciar ao cargo, apesar das pressões que vem sofrendo, até mesmo no PTB. Fleury era governador de São Paulo quando foi decretada a intervenção federal no banco, em 29 de dezembro de 1994. Ele é apontado como um dos responsáveis pelo rombo que levou à intervenção. Autor do pedido da CPI, sua decisão de presidir a comissão causou constrangimento na Casa.O líder do PSDB, deputado Jutahy Júnior (BA), deixou claro que a investigação só vai ocorrer se Fleury abrir mão da presidência. "Caso contrário, a CPI não vai existir", declarou ele. Os partidos que compõem a comissão podem retirar seus deputados e inviabilizar o trabalho. Ontem, horas após o ex-governador ter sido eleito presidente pelos membros da CPI, Jutahy apresentou requerimento no plenário da Câmara contra a indicação. O líder tucano alegou que um acordo partidário destinava a presidência ao PSDB, e que Fleury concorreu como candidato avulso. O requerimento recebeu apoio do PMDB, PPB, PT e PFL. O líder do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), tentará nos próximos dias convencer Fleury a desistir da presidência. Segundo o petebista, a escolha na comissão foi "legítima" e o ex-governador não pode ser destituído do cargo. Portanto, o único caminho é a renúncia. "Só depende dele", disse Jefferson, que já foi procurado pelos demais líderes partidários. Fleury foi eleito em dois turnos. No primeiro recebeu 9 votos, contra 4 dados ao tucano Salvador Zimbaldi (SP). No segundo turno, foram 12 votos a 2. O ex-governador reafirmou que não se sente impedido a presidir a comissão. "Se eu não tivesse isenção para ser presidente, também não teria para ser membro", argumentou, dizendo que a candidatura avulsa é prevista no regimento, além do fato de que o PSDB e o PTB ainda formam, para efeitos regimentais, um bloco partidário. "Não houve quebra de acordo", disse ele. A intervenção federal no Banespa foi decretada no último dia útil de 1994, no fim do mandato de Fleury. Em 1997, o banco foi federalizado e, em 2000, privatizado, passando ao controle do banco espanhol Santander por R$ 7 bilhões. Um dos membros da CPI é o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), que era presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, em 1994. Berzoini foi um dos que votaram em Fleury. Segundo ele, a comissão deverá convocar para depor o ministro da Fazenda, Pedro Malan, então presidente do Banco Central; o presidenciável Ciro Gomes (PPS), então ministro da Fazenda; e o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), então presidente da República.

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