Comando de CPI terá sigilo quebrado

O deputado Moroni Torgan (PFL-CE), integrante da comissão de sindicância que apura a tentativa de extorsão de empreiteiros por parlamentares, anunciou que requisitará, na terça-feira, quebra de sigilo telefônico do comando da CPI das Obras Inacabadas. Segundo Torgan, a medida é importante, porque há suspeitas de que deputados tenham telefonado para donos de construtoras e assessores com objetivo de cobrar dinheiro em troca da retirada dos nomes das empresas do relatório final da CPI, a ser apresentado no dia 9 de outubro. "Se os próprios deputados não derem autorização para a abertura de suas contas telefônicas na terça-feira, vou encaminhar, na mesma hora, pedido formal à CPI das Obras Inacabadas para a quebra de sigilo", garantiu Torgan. Deverão ter os sigilos abertos o presidente da CPI, Damião Feliciano (PMDB-PB), que estaria envolvido no esquema de propina; os três vice-presidentes, Francisco Garcia (PFL-AM), João Coser (PT-ES), Augusto Nardes (PPB-RS); e o relator, Anivaldo Vale (PSDB-PA).Se a comissão de sindicância identificar telefonemas feitos para empreiteiros, a Câmara poderá ter um importante ponto de partida. Por enquanto, os integrantes da comissão enfrentam um impasse, diante da falta de elementos para fazer a apuração. Isto porque, até ontem, eles não haviam conseguido levantar provas para fundamentar a investigação da denúncia, apresentada pelo líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), de que um empreiteiro foi procurado por um "emissário da CPI" propondo o suborno. Na última quinta-feira, o deputado tucano recusou-se a revelar o nome do empresário, alegando sigilo da fonte em depoimento à comissão. O prazo para a conclusão dos trabalhos termina dentro de 15 dias, quando deverá ser entregue um parecer sobre o suposto esquema irregular.

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