Comando da CPI do BNDES pressionará Bumlai a falar para poupá-lo de mais ataques

Comando da CPI do BNDES pressionará Bumlai a falar para poupá-lo de mais ataques

Nesta segunda-feira, 30, o juiz federal Sérgio Moro, que determinou a prisão preventiva do empresário, negou pedido da defesa para que Bumlai fosse dispensado do depoimento

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2015 | 16h01

 BRASÍLIA - O comando da CPI do BNDES na Câmara dos Deputados vai pressionar o pecuarista José Carlos Bumlai para que fale durante depoimento no colegiado marcado para 14h30 desta terça-feira, 1º de dezembro. A estratégia será mostrar para ele que, se usar o direito constitucional de permanecer calado, o empresário será ainda mais atacado por integrantes da CPI. 

Nesta segunda-feira, 30, o juiz federal Sérgio Moro, que determinou a prisão preventiva do empresário, negou pedido da defesa para que Bumlai fosse dispensado do depoimento. Segundo o magistrado, por terem prerrogativas de autoridade judicial, a própria CPI deve dispensá-lo. O pedido ao colegiado, contudo, já foi feito na última sexta-feira, 27, ao presidente, Marcos Rotta (PMDB-AM), que negou e manteve a oitiva.

"Observo que as Comissões Parlamentares de Inquérito têm poderes instrutórios próprios de autoridade judicial, tendo sido dela a iniciativa de ouvir o investigado. Então a dispensa do comparecimento pessoal, a pretexto do exercício do direito ao silêncio, deve ser formulado pela Defesa à referida CPI e não a este Juízo", afirmou Moro no despacho de hoje.

Na última sexta-feira, os advogados de Bumlai pediram a dispensa do depoimento tanto ao juiz quanto ao presidente da CPI, sob o pretexto de que o empresário usará o direito constitucional de ficar calado durante a oitiva. No pedido, a defesa alega que, diante do silêncio, a ida do pecuarista apenas trará gastos aos cofres públicos, sem contribuir para os trabalhos do colegiado. 

Conforme apurou o Estado, a defesa está tentando evitar a ida de Bumlai à Câmara por temer que seu cliente seja execrado pelos parlamentares, mesmo em silêncio. Advogados sabem que sobretudo os deputados da oposição vão aproveitar a presença do pecuarista para constrangê-lo com perguntas, principalmente sobre sua relação com o ex-presidente Lula. 

Acusações. Amigo do ex-presidente Lula, Bumlai foi preso preventivamente na última terça-feira, 24, na 21ª fase da Operação Lava Jato. Ele foi detido em um hotel em Brasília, horas antes do depoimento que prestaria à CPI do BNDES. Na ocasião, Moro pediu desculpas ao presidente do colegiado pela coincidência e colocou o pecuarista à disposição da CPI. 

O pecuarista é investigado, entre outras coisas, por ter contraído empréstimo de R$ 12 milhões com o Banco Schahin Para investigadores, o dinheiro seria usado para pagar dívida de campanha de Lula e do PT. Ele também é acusado de ter contraído empréstimos de mais de R$ 500 milhões com o BNDES que não foram pagos. 

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