Comandantes da PM criticam projeto de unificação

O Conselho dos Comandantes Gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares do Brasil é contra o projeto da deputada federal Zulaiê Cobra (PSDB-SP) que propõe a unificação das polícias Civil e Militar no País. O modelo de unificação proposto pela deputada foi aprovado nesta semana pela Comissão de Segurança do Congresso.Coronéis das polícias militares de vários estados do Brasil, muitos deles comandantes de suas corporações, manifestaram-se contra a unificação das duas polícias e fizeram restrições ao projeto. Eles preferem um modelo de integração, que mantenha a estrutura das duas polícias trabalhando como parceiras no combate ao crime, e têm dúvidas quanto a eficácia da medida no trabalho de segurança. Apenas um coronel disse que o projeto é "interessante", mas ressalvou que a prioridade, antes dele, deveria ser o combate à impunidade.Os coronéis se reuniram no Centro de Exposições Imigrantes, onde é realizada a Feira Internacional de Equipamentos, Produtos e Serviços para Defesa (InterDefesa), que termina amanhã Na reunião, tomou posse como presidente do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais das Polícias Militares, o coronel Rui Sampaio Silva, comandante da PM do Distrito Federal. Ele substitui o coronel Rui César Melo, comandante geral da PM de São Paulo. Nas conversas entre os coronéis, a unificação das duas polícias foi uma das principais discussões. Melo disse que é contra o projeto de unificação. "Eu acredito muito mais na integração das forças policiais, ela traz resultado muito mais imediato na população. Esse projeto dificilmente prosperará." O problema, segundo Melo, é que a proposta de unificação transforma a polícia numa corporação única de dimensões "exageradamente grande". O modelo cria uma polícia "poderosíssima", na sua análise, de difícil controle para o governo. "Isso só encontramos parâmetro nos governos totalitários, eu acho que é uma coisa inadequada." O modelo de integração preferido pelos coronéis, segundo Melo, é diferente da unificação. Ele disse que a integração permite várias instituições policiais trabalhando de forma "harmoniosa, uma complementando o trabalho da outra", sob coordenação da Secretaria da Segurança Pública. "Isso ainda proporciona que haja uma divisão desse poder fabuloso, normalmente concentrado na mão da polícia, e essa divisão permite um autocontrole, ou mútuo controle da parte da polícia."O comandante geral da PM de Minas Gerais, Alvaro Nicolau, afirmou que as polícias devem ser parceiras nas informações, com um banco de dado único, para que possam trabalhar nas suas funções. Ele disse que a unificação gera dúvidas. "O que nos preocupa é alguma mensagem que fala da desmilitarização. O que é isso? É uma questão de semântica? Para onde nós vamos caminhar?". Na sua avaliação, ?o modelo de unificação não é um projeto adequado e não é um projeto que o Brasil merece".O comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, coronel Gerson Nunes Pereira, informou que no seu estado há um projeto de formação das duas polícias. O modelo no entanto é encarado como integração. "A unificação está se apresentando como uma fusão entre as duas polícias. Isso nós descartamos totalmente."O comandante geral da PM de Sergipe, Pedro Paulo da Silva, disse que o cidadão quer a manutenção de uma polícia ostensiva (militar) e outra judiciária (civil). "A unificação é a integração a fórceps", comparou, acrescentando que a integração pode ocorrer sem a unificação. "Unificar é uma violência.""Todos os comandantes gerais das polícias Militares não são a favor da unificação porque unindo Polícia Civil com Polícia Militar, não se vai resolver o problema de insegurança no Brasil", criticou o comandante geral da PM do Ceará, coronel Valdíso Vieira da Silva. Ele acha que a segurança passa pela solução de carências sociais e preservação de valores como a família.O coronel Mauro Luiz Calandrini Fernandes, comandante geral da PM do Pará, afirmou que o seu Estado é um exemplo de integração. No Pará há uma academia Militar onde convivem as duas polícias e o Corpo de Bombeiros. Muitas instruções são as mesmas para as corporações. Mas o coronel nega que isso seja unificação.

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