Comandante sugere cabines blindadas em aviões

O comandante Fernando Murilo de Lima, que comandava o avião da Vasp seqüestrado em 29 de setembro de 1988, com o objetivo de ser jogado sobre o Palácio do Planalto, em Brasília, sugere que, a partir do episódio ocorrido nos Estados Unidos, as empresas pensem mais na segurança da tripulação e do vôo, blindando a porta que dá acesso à cabine. ?Diminuiriam em 70% as chances de um caso desses acontecer", afirmou.No episódio do qual foi protagonista, ele acredita que as possibilidades de terem acontecido seria zero, caso a porta fosse blindada. O seqüestrador maranhense Raimundo Nonato Alves Conceição teve acesso à cabine após arrebentar o trinco com tiros. Um deles atingiu o auxiliar do co-piloto na perna, e outros acabaram destruindo o radar e instrumentos do painel.Lima disse que imediatamente acionou o código de seqüestro, informando o comando de terra. O seqüestrador queria que ele desviasse o vôo para Brasília, quando já se preparava para descer no Galeão, no Rio de Janeiro, vindo de Belo Horizonte. O objetivo era precipitar a aeronave sobre o Palácio do Planalto, em protesto contra o desemprego e falta de dinheiro.Ao sobrevoar Brasília, o co-piloto Salvador Evangelista pegou o microfone e recebeu um tiro na cabeça, morrendo na hora. O comandante alegou que não tinha condições de descer em Brasília e dirigiu-se ao aeroporto de Goiânia. "Mas ele estava com idéia fixa de ir para Brasília", disse.Quando já estava quase sem combustível, um motor parou e Lima fez uma manobra para tentar desarmar o seqüestrador. Não conseguiu. Mas, numa manobra de parafuso, ele foi ao chão. O comandante aproveitou e pousou em Goiânia. A princípio, Conceição queria um F5 para voltar a Brasília, mas aceitou um Bandeirante. Quando entrava no novo avião, um policial atirou de dentro. "A bala passou raspando na minha orelha", lembra Lima. Conceição foi ferido e acabou morrendo no hospital. No caso dos Estados Unidos, o comandante Lima disse ter certeza de que quem pilotava os aviões eram seqüestradores. "Nenhum piloto do mundo ia jogar a aeronave contra o prédio", afirmou. "Ele faria qualquer manobra para evitar a tragédia e jamais obedeceria a eles." Para o comandante, há algumas "coisas estranhas que não se encaixam" nos seqüestros ocorridos nos Estados Unidos.A primeira é o fato de não ter sido acionado o código de seqüestro. "Até agora não soube que nenhum deles tenha colocado o código", disse. "É muito estranho." Além disso, ele disse não entender como um dos aviões, que saiu de Boston para ir a Los Angeles, foi desviado para Nova York e o pessoal de controle de vôo não percebeu. "Não entendi, porque é um rumo completamente diferente", afirmou.

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