Comandante descarta greve na PM-SP

O coronel PM Rui César Melo, Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de SãoPaulo, garantiu hoje que a polícia paulista não entrará em greve. Descontentes com oíndice de reajuste concedido pelo governo para a categoria, cerca de 6%, asassociações representativas da PM realizam assembléia amanhã para discutir apossibilidade de entrar em greve. "Não há a menor possibilidade de greve na PM. O profissional da PM é consciente doseu dever, da sua posição como servidor estadual. Não será a PM que irá romper aordem, não dará o mau exemplo para o Estado e para a Nação", afirmou Melo. A categoria reivindica reajuste da ordem de 40%. "A insatisfação é natural, o reajuste nãocontempla o desejado. Mas não haverá nenhuma ação que fira ordem pública", reafirmouMelo. Hoje, durante o desfile em homenagem aos veteranos da RevoluçãoConstitucionalista de 1932, em frente ao Mausoléu do Movimento, no Ibirapuera, cercade 30 manifestantes de entidades da PM e da PC realizaram ato de protesto contra oreajuste salarial concedido pelo governo paulista. Além de faixas, alguns deles usavambolas vermelhas no nariz, imitando a fantasia de palhaço. Melo considerou o protestopacífico. "O governo recebeu de forma tranqüila e serena (o protesto). Faz parte dademocracia." Na avaliação de Melo, a reação negativa da PM, com a incitação à greve,está limitada a um "pequeno grupo de maus profissionais". "A hipótese da greve ésempre gerada por lideranças com perspectivas futuras de candidatura política. Deforma inconsequente elas alimentam a possibilidade de greve", disse Melo. Seidentificados, serão tratados com as penas previstas no Código Penal Militar e noRegulamento Disciplinar. "Até agora não identificamos nenhum grupo, mas identificadosserão tratados como desordeiros", afirmou Melo. O comandante da PM reconhece que o reajuste oferecido está aquém do desejadopela categoria, mas entende que o governo paulista fez o possível. "O reajuste nãocontempla o que a polícia de São Paulo faria jus, mas entendo que o governo paulista fez o maior esforço possível e ficou bem claro que a segurança pública foi priorizada",disse Melo, referindo-se ao reajuste salarial concedido para todo o funcionalismopaulista, anunciado por Geraldo Alckmin na semana passada. UbiratanEm relação ao coronel Ubiratan Guimarães, ex-Comandante Geral da PM (governo LuizAntonio Fleury Filho), que participou do desfile apesar de ter sido proibido, Melo fez umaressalva sobre a possível desobediência. "Não podemos considerar uma afronta aparticipação dele num desfile cívico como jipeiro. Seria se tivesse desobedecido minhaordem e desfilado no Regimento da Cavalaria da PM", explicou Melo. Guimarães foicondenado a 632 anos de prisão pela morte de 102 dos 111 presos que morreram na invasão do Carandiru, em outubro de 1992. Guimarães que desfilou usando uma farda história da época da Revolução, fora deuso oficial - considerou a decisão de Melo "autoritária". Em 1992, Guimarães ocupava ocargo de Melo e comandou a operação da PM no Carandiru. Ele pretende recorrer dasentença judicial. Melo assumiu como sua a decisão de impedir o desfile de Guimarãesno Regimento da Cavalaria, como ocorreu nos anos anteriores. O objetivo, explicouMelo, foi o de evitar a possível "conotação de aprovação" do governo paulista na participação do ex-comandante - que é um condenado - no desfile. "Eu respeito a interpretação dele (Guimarães) de que tenha sido um ato autoritário. Teropinião diferente é exatamente o que a democracia faculta. Os heróis de 1932 morrerampara garantir esse direito", disse Melo. O secretário estadual de Segurança, MarcoVinicio Petreluzzi, confirmou que a decisão foi de Melo. "Mas eu endosso. Não voupolemizar sobre isso, para mim o assunto está encerrado", afirmou. A mesma opiniãoteve o governador Alckmin. "Ele está querendo criar polêmica, se passar por vítima enós não vamos colaborar para isso. Esse é um assunto da Justiça."

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