'Com voto secreto será diferente', diz aliado de Renan

Almeida Lima, um dos relatores do caso no conselho, aposta na votação em plenário para salvar senador

MARCELO DE MORAES, do Estadão,

05 de setembro de 2007 | 14h33

Apesar da derrota do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética, a tropa de choque do senador continua mantendo otimismo para a votação do processo no plenário, que deve ocorrer na próxima semana. "A votação de hoje não é parâmetro para nada. Não serve como referência. Com o voto secreto será diferente", disse Almeida Lima (PMDB-SE), um dos relatores do processo no conselho e aliado de Renan. O Conselho de Ética aprovou nesta quarta-feira, 5, por 11 a 4 o relatório que pede a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em processo no qual é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da Mendes Júnior. O parecer dos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) citavam oito irregularidades que caracterizariam quebra de decoro.  Ainda nesta quarta-feira, 5, deverá ser realizada uma sessão extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para decidir se o processo será ou não admitido. Se for, na semana que vem irá a votação no plenário. E, neste caso, o voto dos senadores será secreto.  Veja também:Conselho aprova parecer pela cassação de Renan Calheiros Veja a cronologia do caso Renan Íntregra do relatório que pede a cassação de Renan  Entenda as três frentes de investigação contra Renan Em resposta a aliado de Renan, relatores defendem cassação'Vamos ganhar... É ter calma', afirma Renan sobre cassaçãoAliado de Renan, Salgado não vê indícios para cassaçãoSaiba como tramitará o processo contra Renan  Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Nova denúncia: Renan tem de explicar propinas   Depois de exatamente três meses de tramitação da representação do PSOL, Renan não conseguiu explicar suas ligações com o lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, que entregava à jornalista Mônica Veloso (com quem tem uma filha de três anos) dinheiro para custear suas despesas pessoais.  O primeiro a justificar seu voto foi Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos aliados de Renan no conselho. Salgado, que chegou a ser relator do caso por menos de 24 horas, votou pela não cassação. Segundo ele, a "simples" amizade de um senador com um funcionário de empreiteira não pode caracterizar quebra de decoro. Salgado disse ainda que Renan contou com o apoio de um amigo em um assunto que exigia "discrição" e não se prova que a Mendes Júnior tirou qualquer proveito da relação.  Em seguida, Marisa e Casagrande rebateram Salgado (PMDB) e disseram estar "tranqüilos" quanto ao documento que elaboraram pedindo a cassação. Renan assiste à reunião de seu gabinete e declarou nesta quarta assim que chegou ao Congresso: "Vamos ganhar. É ter calma".  Além do processo votado nesta quarta-feira, Renan é alvo de outras duas representações. Uma delas, de iniciativa do PSOL, se refere a seu suposto lobby na Receita Federal e no INSS para favorecer a cervejaria Schincariol, após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), seu irmão. A outra, apresentada pelo DEM e pelo PSDB, pede que seja investigada a sociedade de Renan com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em Alagoas em nome de laranjas.

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