Luis Macedo|Agência Câmara
Luis Macedo|Agência Câmara

Com voto decisivo, Tia Eron é cortejada por ‘cunhistas’

Baiana ganhou notoriedade por estar no centro da disputa no Conselho de Ética

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2016 | 05h01

Deputada de primeiro mandato, a baiana Tia Eron (PRB) ganhou notoriedade nos últimos dias por estar no centro da disputa no Conselho de Ética entre aliados do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os que defendem sua cassação. 

Sob bombardeio dos dois lados, Eronildes Vasconcelos completou na quinta-feira 44 anos. Aos 8, passou a frequentar, ao lado da mãe, a Igreja Universal do Reino de Deus e fez de sua atuação na igreja a base para a carreira política, iniciada no antigo PFL (hoje DEM). O nome político “Tia Eron” surgiu da época em que lecionava na Escola Bíblica Infantil para os filhos dos fiéis da igreja enquanto os pais assistiam ao culto. Em quatro mandatos como vereadora em Salvador, Tia Eron atuou longe dos holofotes, mas ainda assim conseguia se reeleger com votações expressivas graças ao envolvimento com a igreja evangélica.

Um dos projetos de autoria da então vereadora foi a “Lei Antibaixaria”, que proíbe o uso de recursos públicos para contratação de artistas que exponham mulheres ao constrangimento em suas músicas ou coreografias. 

Em Brasília, Tia Eron chegou se impondo como negra, mulher, nordestina, viúva e mãe de dois filhos. Eleita pelo PRB com mais de 116 mil votos, Eron declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 270,6 mil e um gasto de campanha de R$ 177 mil, financiado por doações vindas de pessoas físicas e do diretório nacional do PRB.

Causas. No Congresso, encampou projetos como o que institui a prioridade para mulheres responsáveis pelo núcleo familiar na tomada de microcrédito e a proposta que estabelece que a suplência de uma deputada seja exercida por mulher. Em seu currículo, a deputada vangloria-se de ter relatado o projeto que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fazer gratuitamente cirurgia reparadora em mulheres vítimas de violência doméstica. Entre suas propostas de combate ao preconceito racial, Tia Eron apresentou um projeto que atribui à Polícia Federal a apuração de crimes relacionados à discriminação ou preconceito de cor, etnia, religião ou nacionalidade.

Mas foi na bancada evangélica que a deputada foi recebida como reforço de peso. Em seu primeiro voto como deputada empossada, seguiu o bloco e ajudou a eleger Eduardo Cunha presidente da Câmara. Como membro da bancada evangélica, Tia Eron assinou o projeto que susta o direito de travestis e transexuais de usarem no âmbito da administração pública o nome social. Ela votou favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

O desempenho alçou a deputada ao posto de presidente estadual do partido. 

Mas os colegas de Congresso passaram a notá-la efetivamente quando assumiu a vaga deixada por Fausto Pinato (PP-SP) no Conselho de Ética da Câmara. Seu apoio à eleição de Cunha e os elogios à gestão do peemedebista como presidente da Casa geraram dúvidas de que havia uma manobra em curso para favorecer o deputado. Ela não esconde as pressões, principalmente do eleitorado pedindo a cassação do peemedebista, e garante que sabe lidar com os “apelos” dos colegas de Casa. “Você está diante de uma mulher que tem coragem para caramba”, disse. 

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