Com voto decisivo de Renan, Senado arquiva caso Argello

Para senadores, arquivamento se justifica porque as acusações contra suplente são anteriores ao mandato

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, do Estadão,

21 de agosto de 2007 | 17h18

Com o voto de desempate do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Mesa Diretora da Casa decidiu nesta terça-feira, 21, pelo arquivamento da representação do PSOL contra o senador Gim Argello (PTB-DF), acusado de participação em esquemas de desvios de dinheiro público e de grilagem de terras no Distrito Federal.  Por três votos a dois e duas abstenções, os integrantes da Mesa entenderam que o arquivamento se justificava por ser Argello acusado de incorrer em delitos antes de ter assumido o mandato de senador. Com o voto favorável a Argello, Renan garante também um ponto a seu favor, no momento em que for julgado no processo por quebra de decoro. Argello assumiu há pouco mais de um mês no Senado a vaga de Joaquim Roriz (PMDB-DF), também acusado de desvios de dinheiro público ocorridos no período em que já exercia o mandato de senador. Roriz renunciou ao cargo para escapar de possível cassação por quebra de decoro parlamentar. Tanto Roriz quanto Argello tiveram seus nomes apontados pela Polícia Civil do Distrito Federal como envolvidos no esquema de desvio de recursos do Banco de Brasília (BRB), apurado pela Operação Aquarela. Além de Renan, votaram pelo arquivamento da representação os senadores Papaléo Paes (PSDB-AP) e Efraim Moraes (DEM-PB). Os senadores Tião Viana (PT-AC) e Álvaro Dias (PSDB-PR) defenderam o encaminhamento da representação para o Conselho de Ética da Casa, onde atualmente há três processos abertos, todos contra o presidente da Casa, Renan Calheiros. Renan é suspeito de quebra de decoro por ter supostamente suas despesas pessoais pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior, Claudio Gontijo. O peemedebista também é acusado de ter atuado em favor da cervejaria Schincariol junto à Receita Federal e, por fim, acusado de sociedade oculta na compra de duas rádios e um jornal. As empresas estariam em nome de laranjas. Os senadores Magno Malta (PR-ES) e César Borges (DEM-BA), que também integram a Mesa do Senado, se abstiveram na decisão sobre a representação do PSOL contra Argello. Reação Antes da reunião da Mesa, assessores e até o próprio senador davam como certa o envio da representação ao Conselho de Ética. "Acho que a representação será encaminhada. Eles não vão entrar no mérito e a Mesa vai deixar o conselho analisar", afirmou Argello, que já preparava sua defesa para enfrentar o processo de investigação da Casa.  O próprio advogado de Argello, Maurício Corrêa, chegou a afirmar na tarde desta terça-feira que se a Mesa enviasse a representação para o Conselho de Ética entraria com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal. "Do ponto de vista jurídico não tem nada contra ele. Uma coisa é acusar e outra é provar", disse Corrêa. Ao ser informado da decisão da Mesa de arquivar a representação contra ele, Argello disse estar, por meio de sua assessoria de imprensa, "agradecido". "Sempre tive certo da minha inocência e sempre confiei no bom senso e justiça do Senado Federal. Agora, vamos trabalhar pelo Brasil e pelo Distrito Federal", afirmou Argello, aliviado da possível degola.  (Colaborou Christiane Samarco)

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