Com voto de Suplicy, CPI convoca caseiro que acusou Palocci

A CPI dos Bingos ouvirá hoje o depoimento de Francenildo Santos Costa, conhecido como Nildo, caseiro da mansão do Lago Sul freqüentada, segundo ele, pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e por integrantes da chamada república de Ribeirão Preto. Sua convocação foi aprovada ontem por sete votos a seis - com apoio do senador petista Eduardo Suplicy (SP) -, após longo debate sobre a repercussão da entrevista do caseiro ao Estado.Aliados de Palocci, como o senador Tião Viana (PT-AC), alegaram que Nildo deveria ser ouvido de forma reservada. Já a oposição sustentou que a presença do caseiro servirá para que ele confirme ou negue as afirmações, publicadas anteontem. Ficou acertado que caberá aos dirigentes da comissão decidir se o depoimento será em sessão aberta ou fechada.Entre outras revelações, Nildo contou que havia partilha de dinheiro na mansão - alugada por Vladimir Poleto, ex-assessor da prefeitura de Ribeirão Preto, e custeada por dinheiro da empresa de Rogério Buratti, também naquela cidade. Os recursos seriam distribuídos para integrantes do grupo, incluindo o secretário particular do ministro, Ademirson Ariosvaldo da Silva. Segundo o caseiro, havia uma ordem para que todos, não apenas os empregados, chamassem Palocci de "chefe".Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento de convocação, a presença de caseiro dará aos aliados a oportunidade de defender o ministro. "Até agora não houve nenhuma contestação", destacou. O senador Romeu Tuma lembrou tratar-se de testemunha que estava dentro das mansão: "Se estiver mentindo, aqui é o melhor local para tomar o seu depoimento."ReaçãoO senador Tião Viana fez o que pôde para brecar a convocação e levou à CPI aliados como os peemedebistas Valdir Raupp (RO), que só vai à comissão para atender ao governo, e Gilvan Borges (AP), que nunca havia comparecido a uma sessão.Tião deixou claro que tinha um acordo com o senador Augusto Botelho (PDT-RO), com quem se reuniu na terça, para que ele endossasse seus votos. Mas bastou um telefonema do senador Jefferson Peres (PDT-AM) para enquadrar Botelho na orientação de investigar as denúncias.Ligado a Palocci, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) chegou a apresentar requerimento para que Nildo fosse ouvido de forma reservada. Mudou de idéia depois que Tião votou contra a convocação do ex-caixa de campanha de Lula e atual presidente do Serviço Brasileiro de Apoio a Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto.TensãoA sessão foi tensa, sobretudo para Suplicy, que teve de se explicar por todas as declarações, contra ou a favor do depoimento. Por fim, o petista afirmou que o importante era ouvir o caseiro.No telefonema que fez para Palocci, depois da sessão, foi categórico: "Ele (o presidente da CPI, Efraim Moraes) me garantiu que o depoimento vai ser reservado." Efraim rebateu, garantindo que a decisão só será tomada hoje.

Agencia Estado,

16 de março de 2006 | 09h10

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