Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

‘Cabine da Covid’: Conheça o sistema de votação da eleição na Câmara

Deputados da oposição reclamam de risco de contaminação e criam apelido para os locais de votação na segunda-feira

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2021 | 11h11

BRASÍLIA – A decisão da Mesa Diretora da Câmara de exigir a presença dos 513 deputados em Brasília para escolher o próximo presidente da Casa, na próxima segunda-feira, 1º, tem causado aflição em alguns parlamentares. E não apenas pela possibilidade de aglomerações. Os espaços onde cada um terá que registrar seu voto já ganhou um apelido por integrantes da oposição ao governo Bolsonaro: "cabine da covid".

Serão usadas 21 dessas cabines espalhadas por dois salões do prédio principal da Câmara. Para garantir o sigilo do voto, o espaço, com 1 metro de profundidade e 90 centímetros de largura, é fechado por três paredes de madeira e uma cortina.

"Aquilo ali é um absurdo sanitário. Você não pode, nesse momento, colocar uma fila de deputados em um espaço fechado. Você entra em uma cabine fechada, pode espirrar e tossir e, em seguida, entra outro", afirmou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que é médica. "Não tem ventilação, o ar não vai circular ali", complementa a líder do partido, Perpétua Almeida (AC), ao ver a instalação das cabines no Salão Verde.

Em anos anteriores, quando não havia pandemia, a eleição da Câmara foi concentrada dentro do plenário da Casa, com cabines espalhadas nas laterais do espaço. Desta vez, serão 18 delas no Salão Verde, e outras três no Salão Nobre: estas reservadas para parlamentares pertencentes aos grupos de risco, como idosos e portadores de comorbidades.

O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estima que ao menos 3 mil pessoas, entre funcionários e parlamentares, devem estar presencialmente na Câmara no dia da votação.  Ele defendia uma votação mista, presencial e virtual, para preservar ao menos parlamentares do grupo de risco, mas foi derrotado na votação em que a Mesa Diretora decidiu sobre o tema. O placar foi de 4 a 3.

"Assim sendo, estamos organizando da melhor forma possível para que a gente garanta o máximo de distanciamento entre os parlamentares e servidores e a imprensa no dia 1º de fevereiro", disse Maia. 

No domingo, 31, a Câmara fará uma limpeza especial dos espaços a serem utilizados durante o processo eleitoral. "A higienização mecânica com hipoclorito e álcool 70% será realizada ao longo do dia, sempre que for necessário", afirmou a assessoria da Casa.

Além disso, vaporizadores com álcool líquido 70% estarão disponíveis em todas as cabines de votação, bem como totens de álcool em gel. A equipe de limpeza de plantão vai higienizar a cabine eleitoral periodicamente ou a pedido do parlamentar.

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Para a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), a higienização deve ser insuficiente para evitar o contágio em um espaço fechado como o das cabines. “Inacreditável que, em meio à segunda onda da pandemia, se planeje a votação em verdadeiras cabines de covid sem ventilação e ainda com cortinas”, disse Melchionna.

“Além da utilização do velho 'toma lá dá cá' para interferir no resultado da eleição, o candidato de Bolsonaro tem uma posição irresponsável na condução da votação presencial”, disse ela, em referência a Arthur Lira (Progressistas-AL), nome do Palácio do Planalto na disputa.

Em dezembro do ano passado, o Progressistas, partido de Lira, chegou a levantar suspeitas sobre um ataque hacker caso a eleição ocorresse de modo virtual, o que vinha sendo avaliado por Maia. O PDT, por sua vez, pediu a intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF) para permitir a votação à distância, mas a ministra Rosa Weber negou o pedido do partido.

A votação na Câmara está prevista para começar às 19 horas de segunda e o resultado pode ser divulgado apenas na madrugada de terça, já que, provavelmente, haverá dois turnos. São necessários pelo menos 257 votos para definir a vitória.  

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