Com tribuna vazia, senador réu em processo critica jornalistas por matéria

Roberto Requião (PMDB-PR) apareceu em reportagem sobre políticos que podem se beneficiar dos embargos infringentes no Supremo e chamou jornalistas de 'moleques' e 'sem vergonhas'

Débora Álvares, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2013 | 20h32

No fim da sessão desta quinta-feira, 26,o senador Roberto Requião (PMDB-PR) usou a tribuna do Senado para agredir verbalmente jornalistas que publicaram uma matéria que cita uma ação penal contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o pronunciamento, apenas a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) estava no plenário, mas não quis comentar o assunto.

A reportagem de O Globo, assinada por Juliana Castro e André de Souza, foi publicada no final de semana e relata casos de políticos que podem ser beneficiados com a decisão do STF de aceitar os embargos infringentes. "Estou aqui, estampado pelos moleques filhos do Roberto Marinho, na terceira página de O Globo", destacou no início do seu pronunciamento.

Requião se disse vítima de "safadeza" e classificou a matéria como "maliciosa, aleivosa, malandra e safada". Encerrada a sessão, um dos repórteres que assinaram a matéria se apresentou ao senador e foi novamente chamado de "moleque" e "jornalista sem vergonha".

Requião é réu na AP 584 no Supremo, cujo relator é o ministro Dias Toffoli. Ele foi acusado pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, de injúria e calúnia. Como tem mais de 70 anos, o prazo para a prescrição de seus crimes foi reduzido pela metade, de forma que ele já não responde mais pelo crime de injúria. Requião, contudo, ainda responde pela acusação de calúnia.

O senador paranaense defendeu a aprovação pelo Congresso de um projeto de sua autoria que regulamenta o direito de resposta nos veículos de comunicação. A proposta de Requião passou no Senado na semana passada e agora está na Câmara. "O País, os cidadãos deste País, sua honra e bom nome não podem continuar alvo de molecagens, de irresponsabilidade dos meios de comunicação", afirmou o parlamentar, no plenário da Casa.

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