Com rodadas de negócios, Geller tenta se manter no cargo

As rodadas de negociações comerciais conduzidas pelo ministro da Agricultura, Neri Geller, na China e na Arábia Saudita, de onde voltou nesta segunda-feira, 17, foram um movimento político do titular da pasta. A viagem é vista internamente na pasta como uma "última cartada" do ministro para tentar convencer a presidente Dilma Rousseff a mantê-lo no cargo.

NIVALDO SOUZA, Estadão Conteúdo

18 de novembro de 2014 | 20h01

Integrante do PMDB e deputado federal licenciado, Geller não tem apoio de seu partido e sofre pressão da bancada peemedebista da Câmara para que seja substituído pelo também deputado Mauro Lopes (MG), conforme apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

O ministro convocou a imprensa nesta terça-feira para apresentar resultados da viagem. Foi um gesto para transmitir a imagem de eficiência de sua gestão, iniciada em março deste ano. Geller voltou da viagem com a formalização da reabertura do mercados chinês para a carne bovina brasileira, que havia sido anunciado em julho, mas desde então figurava apenas como discurso do governo de Pequim.

O ministro conseguiu também a revogação do embargo saudita ao produto. Ambos o países haviam imposto o embargo em 2012. Agora, a expectativa de Geller é de que as liberações movimentem até US$ 1,5 bilhão anuais em exportações ao agronegócio.

As conversar conduzidas pelo ministro em Riad, Pequim e Xangai foram relatadas por ele diretamente à presidente Dilma. Geller foi informando passo a passo as conversas mantidas com empresários e representantes dos governos chinês e saudita.

Diálogo

Numa tentativa de permanecer no cargo, o ministro estaria inclusive se reaproximando do secretário de Defesa Agropecuária, Rodrigo Figueiredo, indicado para o posto pelo líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Relatos de fontes da Agricultura dão conta de que até pouco tempo atrás o ministro não dirigia palavra a Figueiredo.

O secretário foi acusado, em 2013, em uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), de tomar decisões favoráveis ao frigorífico JBS, dono da marca Friboi. Na época, Geller era secretário de Política Agrícola e, desde então, as relações estão estremecidas.

Apesar dos gestos do ministro junto ao PMDB e à presidente Dilma, Geller está enfraquecido na disputa pela Agricultura, tida pelo partido como um cargo da bancada da Câmara. A ala peemedebista de Minas Gerais na Câmara, liderada pelo ex-ministro da Agricultura Antônio Andrade, tenta emplacar Lopes.

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