Com resultado previsível, Lula viu julgamento de HC no STJ 'com tranquilidade'

Segundo pessoas que estiveram com ex-presidente nesta terça-feira, Lula insistiu que vai levar sua candidatura 'até as últimas consequências'

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

06 Março 2018 | 19h37

O ex-presidente Luiz Ináciuo Lula da Silva manteve o bom humor e a calma durante o julgamento do habeas corpus apresentado por sua defesa ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo pessoas que estiveram com Lula nesta terça-feira, ele assimilou o resultado com naturalidade, como se já esperasse que o HC seria negado, assumiu compromissos para o futuro próximo e insistiu em levar sua candidatura até as últimas consequências.

“Ele estava descontraído e repetiu a disposição de levar a candidatura até o fim”, disse Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares(CMP) e da Frente Brasil Popular.

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Bonfim esteve com o ex-presidente na sede do Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, durante parte da tarde, enquanto o STJ recusava o pedido de habeas corpus.

“Ele lembrou com bom humor que chegou a defender nomes como os de Benedita da Silva e Olivio Dutra para a coordenação da CMP e que passou na rua da casa do meu pai durante a caravana pelo Nordeste. Em momento algum falamos da prisão”, disse Bonfim.

Em janeiro, a CMP chegou a propor a realização de um cordão humano em torno do prédio de Lula em São Bernardo para impedir a prisão do ex-presidente mas abandonou a ideia.

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“Não houve anuência do próprio Lula”, afirmou.

Segundo Bonfim, estão descartadas grandes manifestações em caso de prisão de Lula. “O que vai ter com certeza são ações. Não será um ato unitário mas se expedirem o mandado de prisão do Lula vai ter reação”, disse ele.

De acordo com auxiliares e advogados próximos a Lula, a derrota no STJ já era esperada. O PT aposta todas as fichas no Supremo Tribunal Federal (STF), onde estão prontas para ser julgadas duas ações que tratam sobre a obrigatoriedade de cumprimento de pena depois de condenação em segunda instância. Petistas acreditam que uma nova maioria está se formando no Supremo sobre o tema e a pressão popular e política pode obrigar a presidente da côrte, ministra Cármen Lúcia, a colocar as ações em votação antes que o Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF-4) aprecie os embargos de declaração apresentados pela defesa de Lula.

Em notas divulgadas logo depois da sessão do STJ, o PT e a defesa de Lula cobraram responsabilidade, urgência e compromisso com a Constituição dos ministros do STF.

Caso os embargos sejam rejeitados e o cumprimento de pena em segunda instância mantido, Lula deve ser preso no dia seguinte à sessão do TRF-4, avaliam petistas.

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Apesar da possibilidade cada vez maior de ir para a cadeia, Lula aceitou o convite para participar do Congresso Nacional da CMP, em abril, e disse que vai participar do Fórum Social Mundial em Salvador, na semana que vem, e de uma caravana pela região Sul, a partir do dia 19.

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