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Com Renan, ministro da Transparência faz críticas à Lava Jato

Hoje titular de pasta anticorrupção, Fabiano Silveira também sugeriu defesa ao peemedebista

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2016 | 23h50

Nomeado pelo presidente em exercício Michel Temer para a pasta responsável pelo combate à corrupção no governo federal, o ministro Fabiano Silveira foi gravado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado em conversas na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na qual faz críticas à Operação Lava Jato e sugere estratégias de defesa a investigados por suposto envolvimento no esquema de desvios na Petrobrás. Ontem à noite, após a divulgação dos áudios pelo Fantástico, da TV Globo, Silveira divulgou nota em que nega irregularidades.

As conversas entre Renan, Machado e o hoje ministro da Transparência, Fiscalização e Controle ocorreram há cerca de três meses, quando Silveira fazia parte do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como “cidadão de notável saber jurídico e reputação ilibada indicado pelo Senado Federal” – ele é funcionário de carreira do Senado e chegou ao órgão do Judiciário pelas mãos de Renan.

A pasta que Silveira ocupa no governo Temer substituiu a Controladoria-Geral da União (CGU) e será responsável pelo novo marco legal para acordos de leniência do governo com empresas envolvidas em esquemas de corrupção, como as empreiteiras investigadas pela Lava Jato.

No áudio divulgado ontem, Renan mostra-se preocupado com um dos inquéritos a que responde no Supremo Tribunal Federal, no qual ele e Machado são investigados por suposta propina para favorecer um consórcio de empresas em licitação de renovação de frota da Transpetro. O presidente do Senado diz a Silveira para ter “cuidado” e que “esse negócio do recibo... isso me preocupa para c...”

Silveira então discute com Renan e Machado a estratégia jurídica a ser adotada no caso. O hoje ministro aconselha o peemedebista a não entregar uma versão dos fatos, pois isso daria à Procuradoria-Geral da República condições de rebater detalhes da defesa.

Críticas. Em outro trecho, Silveira faz críticas à condução da investigação da Lava Jato e diz que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e demais procuradores estão “perdidos”.

Na reunião em fevereiro, também estavam presentes o advogado e ex-assessor de Renan Bruno Mendes e pelo menos um outro homem não identificado.

A reportagem do Fantástico revelou outra conversa, de 11 de março e sem a presença de Silveira, na qual Renan e Machado comentam a atuação do então conselheiro nacional de Justiça, que teria ido falar com Janot após a reunião ocorrida em 24 de fevereiro. Na conversa, Renan relata que não acharam nada contra ele e que Janot o teria chamado de “gênio”.

‘Passagem’. Na nota divulgada ontem à noite, Silveira alega que esteve “de passagem” na residência oficial do presidente do Senado quando a conversa foi gravada. O ministro da Transparência disse que não sabia da presença de Machado e que eles não têm nenhuma relação, pessoal ou profissional, embora o ex-presidente da Transpetro o chame pelo prenome.

(Silveira) esteve involuntariamente em uma conversa informal e jamais fez gestões ou intercedeu junto a instituições públicas em favor de terceiro”, afirma o texto divulgado pela assessoria de imprensa. O ministro afirma que “chega a ser despropósito” sugerir que o Ministério Público, “instituição que demonstra independência e altivez, possa sofrer qualquer interferência externa”.

Procurada, a assessoria de imprensa de Renan não respondeu. A defesa de Machado também não retornou às ligações. Temer e Janot não quiseram comentar as gravações.

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