O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo

Com recusa de Celso Amorim, Figueiredo deve ficar no Itamaraty

Dilma teria ficado sem alternativas para substituir atual comando do Ministério das Relações Exteriores

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2014 | 18h20

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, ganhou uma sobrevida no cargo. A recusa de Celso Amorim em aceitar a volta ao Itamaraty teria deixado a presidente Dilma Rousseff sem alternativas para substituí-lo. Por enquanto, Figueiredo fica, mas não deve durar até o final deste segundo mandato.

O ministro tem sido criticado dentro e fora do ministério. Diplomatas o consideram sem força ou poder político no governo, o que se reflete na posição de um Itamaraty já desprestigiado. Fora, Figueiredo é contestado pela falta de experiência e conhecimento na área comercial, considerada vital para que o Brasil tente retomar o crescimento econômico.

Apesar dos problemas, o ministro é querido pela presidente, principalmente por não lhe trazer problemas e aceitar as decisões presidenciais sem muito questionamento. Ainda assim, nas últimas semanas, era dada como certa sua saída - se Dilma encontrasse uma alternativa viável, o que estava difícil. Um dos principais advogados da saída de Figueiredo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva advogava por um nome político ou pela volta de seu chanceler, Celso Amorim.

Nos últimos dias, a possibilidade de ter Amorim de volta ao Itamaraty pela terceira vez ganhara força, com o atual embaixador em Washington, Mauro Vieira, voltando ao Brasil para ser secretário-geral e Figueiredo assumindo a embaixada nos Estados Unidos. No entanto, o rearranjo teria esbarrado na falta de interesse de Amorim, que se diz cansado, em assumir o ministério sem poder contar com a liberdade e a carta branca que lhe fora dada por Lula.

O vai e vem sobre o futuro do MRE tem deixado diplomatas nervosos. Mas, a demora para decidir quem comandará o Itamaraty reflete o status do ministério no atual governo. Com orçamento baixo, pouco prestígio e sem cargos políticos para nomear, O Itamaraty não é disputado pelos partidos da base, não entra no xadrez político e deve ser um dos últimos a serem definidos.

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