Com reajuste, parlamentares ganhariam mais que europeus

O novo aumento dos salários dos parlamentares no Brasil permitirá que cada deputado tenha uma renda pelo menos duas vezes superior ao valor recebido por um parlamentar da Espanha, Portugal ou Áustria e maior que a média de toda a Europa. Dados da União Parlamentar Internacional, com sede em Genebra, mostram que a grande maioria dos deputados na Europa teria dificuldade em acompanhar os salários de Brasília. Com o reajuste de 91,7% que os parlamentares brasileiros promoveram seus salários mensais passam a R$ 24,5 mil. Na realidade, o Brasil só é superado pela Itália, onde os deputados ganham R$ 34 mil mensais, mas em apenas 12 parcelas, e não em 15 salários como no Brasil diante das convocações extraordinárias do Congresso. Se descontado o fato de que o custo de vida é muito mais elevado em países como Inglaterra ou Alemanha, a renda mensal dos parlamentares brasileiros fica ainda mais inflada e representa, de fato, muito acima do que ganham os deputados e senadores europeus. Na Holanda, onde há o segundo maior salário da Europa para os parlamentares - R$ 20,3 mil - a renda per capta é quase quatro vezes maior que a do Brasil segundo os dados da ONU. Já os deputados brasileiros ganharão mais que seus colegas holandeses. Na Alemanha, os salários chegam a R$ 19,9 mil, contra R$ 19,6 mil na Irlanda e R$ 19,3 mil no Reino Unido, alguns dos países com melhor índice de desenvolvimento humano do mundo. A França, onde o estado é conhecido como ainda sendo pesado e que distribui benefícios, paga a cada deputado cerca de R$ 10 mil reais a menos por mês que no Brasil. No paraíso fiscal de Luxemburgo, os salários não passam de R$ 13,9 mil. Já na Áustria, Portugal e Espanha, quem escolher se candidatar ao parlamento receberá menos da metade que um brasileiro no Congresso. Na Suíça, considerada como o sistema democrático mais aperfeiçoado, a remuneração dos deputados é por presença em sessões. Quem não vai simplesmente não recebe pelo dia. Os suíços se referem a seu congresso como "Parlamento de Milícia", em que os representantes apenas atuam para resolver casos específicos, além de debater e votar leis. "Ser representante no Congresso não é uma profissão. Não dá para viver sendo apenas político na Suíça. Aqui temos de ter outros empregos para pagar as contas", afirma Marie Chappuis, que concorrerá às próximas eleições pelo Partido Democrata Cristão. O deputado de Genebra, Guy Mettan, ainda conta que, ao ser eleito, cada congressista recebe apenas um vale transporte para passar o mês e tem direito a um assistente que trabalha para meio período. "O resto sou eu mesmo que tenho de fazer", contou o deputado que ganha cerca de R$ 12 mil por mês. No mesmo edifício em que atua como deputado, um garçom do restaurante ganha cerca de R$ 6 mil por mês, apenas metade do valor do político. Na Suíça, o aumento das remunerações dos deputados é possível. Mas apenas para ajustar o valor recebido à inflação. "Um aumento de 10% nunca seria autorizado", contou Mettan. Ao saber do aumento de 91% no Brasil, o deputado não acreditou. "Não pode ser", disse.

Agencia Estado,

19 Dezembro 2006 | 20h17

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