Com quatro dias de atraso, tucanos atacam Palocci

Comparação feita pelo chefe da Casa Civil com ex-ministros de FHC irrita o PSDB; Goldman acusa petista de ‘tráfico de influência’

18 de maio de 2011 | 23h00

Demorou quatro dias, mas o PSDB reagiu ao caso Palocci. Nesta quarta-feira, 18, o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman acusou o ministro da Casa Civil de "tráfico de influência" e outros tucanos rechaçaram comparações entre atuações no mercado financeiro de ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso e a atividade de consultor exercida por Palocci entre 2007 e 2010.

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Segundo Goldman, Palocci "não apenas usou de seus conhecimentos adquiridos, o que seria legal e moralmente aceitável, mas usou de sua influência sobre um governo que, mesmo fora dele, ainda em parte comandava. Fez, no papel de deputado e de líder de fato do governo Lula, tráfico de influência", disse Goldman em texto.

 

A declaração dele contrasta com a do ex-governador José Serra e com a do senador Aécio Neves, que foram cautelosos ao comentar o caso. O contra-ataque tucano nesta quarta foi motivado por comparações do ministro. Em mensagem enviada a congressistas na terça-feira, 17, Palocci citou exemplos de ex-ministros de FHC, como Pedro Malan, para dizer que o cargo de ministro da Fazenda "proporciona uma experiência única que dá enorme valor a esses profissionais",

 

Goldman aproveitou para cobrar esclarecimentos do ministro. Na opinião do ex-governador, o enriquecimento de Palocci em poucos anos não pode ser encarado de forma natural. "Enriquecimento assim, tão rápido, dessa forma, não é aceitável em um homem público que hoje dirige o mais importante ministério do governo Dilma", concluiu.

 

O ex-governador lembrou ainda o episódio envolvendo a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, em 2006. "Para mim, isso já basta para definir o caráter do ministro. E não o desculpo, de forma nenhuma."

 

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), também disse não caber comparações entre os casos: "Toda vez que o PT é acusado, remete para os outros as acusações". O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, seguiu a mesma linha. "Ministros não eram deputados que estavam na iniciativa privada. Essa comparação não procede."

 

No final da noite, o PSDB soltou uma nota na qual diz que as diferenças entre os casos são "gritantes". "Na conhecida linha petista, (Palocci) transfere responsabilidade ao insinuar que outros colaboradores de governos anteriores fazem o mesmo. Uma tentativa fraudulenta e enganosa de fugir à sua responsabilidade", afirma o texto.

 

A nota citou ainda casos em que os ex-funcionários do governo tucano foram ao Congresso prestar informações sobre episódios polêmicos envolvendo a atuação nas esferas pública e privada. "Acusado de passar um fim de semana numa fazenda do banqueiro Fernão Bracher, às vésperas de uma mudança na política cambial, o então presidente do Banco Central, Persio Arida, foi ao Congresso se explicar, diante de irados discursos do petismo", diz a nota, que também cita o caso do ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge, acusado de tráfico de influência e alvo constante dos petistas.

 

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