Com pressão de estudantes, reitor da UnB pede afastamento

Thimoty Mulholland pediu licença do cargo por 60 dias para garantir princípios da 'moralidade'; vice assume

Agência Brasil ,

10 de abril de 2008 | 11h41

O reitor da Universidade de Brasília (UnB), Thimoty Mulholland, pediu nesta quinta-feira, 10, licença do cargo por 60 dias. Em nota lida para a assembléia da Associação dos Docentes da UnB, ele afirmou que estava tomando a iniciativa "com o objetivo de assegurar os princípios constitucionais da eficiência, publicidade, moralidade, impessoalidade, legalidade e transparência nas apuração dos fatos". Durante o período de afastamento, assumirá o cargo o vice-reitor, Edgar Mamya.   Veja também Estudantes da UnB rejeitam termo e mantêm ocupação MEC quer parecer da Finatec sobre recursos para UnB Reitor da UnB diz que não pretende deixar universidade Reitor da UnB aceita parte das reivindicações Justiça manda estudantes desocuparem Reitoria   Os estudantes, que ocupam o prédio da reitoria da UnB desde o último dia 3, reivindicam a saída do reitor, acusado de usar verbas da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) para comprar móveis e equipamentos de luxo para seu apartamento funcional. Na última quarta-feira, os alunos negaram o novo termo de compromisso apresentado pela instituição para a desocupação do prédio. De acordo com a Secretaria de Comunicação (Secon) da UnB, os estudantes afirmaram que não desocupariam a reitoria mesmo que Mulholland fosse afastado.   Na terça-feira, 8, o Ministério Público Federal (MPF-DF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) entraram com ação de improbidade administrativa contra o reitor. De acordo com a ação, cerca de R$ 470 mil foram gastos para mobiliar e decorar o imóvel. Outros R$ 72 mil foram usados para comprar um automóvel de uso exclusivo do reitor. Todos os gastos foram custeados pela Finatec, fundação de apoio ligada à Fundação Universidade de Brasília (FUB).   Antes, Mulholland havia afirmado que se sentia à vontade no cargo, apesar das acusações e que não iria admitir ser acusado sem julgamento. Dizendo-se perseguido por grupos contrários a políticas sociais da UnB, o reitor procurou nessa semana o ministro da Educação, Fernando Haddad. E mais uma vez afirmou que não sairia do cargo.   Para o Ministério Público, os gastos são considerados ilegais e imorais. O MP afirma que houve desvio de finalidade nos recursos do fundo e que tal desvio beneficiaria o reitor.   A ação pede a condenação do reitor e do decano de administração ao ressarcimento integral do dano causado, à perda da função pública, à suspensão dos direitos políticos por até cinco anos, ao pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração recebida pelos agentes e à proibição de contratar com o poder público por três anos, além do pagamento de indenização por danos morais. O Ministério Público também aguarda informação da UnB para verificação da destinação atual desses bens.    (com Agência Estado)

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