Wilton Junior|Estadão
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Com perfil moderado, Jorge Viana é próximo de Lula e FHC

Com raízes políticas no movimento ambientalista do Acre, senador petista tem bom trânsito entre diferentes partidos

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2016 | 05h00

Possível sucessor de Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado, o senador Jorge Viana (PT-AC) é visto como um político de perfil moderado, com facilidade de interlocução e bom trânsito entre os mais diversos setores e partidos políticos. 

Amigos lembram que Viana governou o Acre entre 1999 e 2006 em aliança com o PSDB, fato único na época. 

“Jorge tinha uma relação muito próxima com Fernando Henrique e dona Ruth Cardoso. Eles nos ajudaram muito”, lembra o ex-governador Binho Marques, que sucedeu a Viana no comando do Acre.

Filho do ex-deputado federal Wildy Viana (Arena) e sobrinho do ex-governador biônico Joaquim Macedo, Viana foi presidente do Centro Acadêmico da faculdade de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UNB), onde de aproximou dos movimentos de esquerda. 

De volta ao seu Estado natal, ajudou a fundar a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac). Ali, tomou contato com o trabalho do ambientalista Chico Mendes e implantou os primeiros projetos de exploração sustentável que desembocariam, anos depois, no Governo da Floresta, entre 1999 e 2006. 

Em 1986, ajudou a coordenar a campanha de Chico Mendes a deputado estadual em dobradinha com Marina Silva, hoje na Rede. Com o assassinato de Mendes, em 1988, criou corpo o grupo que comanda o Acre até hoje, composto a pelo atual governador, Tião Viana (PT), seu irmão. 

No PT, o senador é visto como homem próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos foram apresentados por Chico Mendes e foi Lula quem afiançou internamente a aliança com o PSDB. Também foi Lula quem indicou Viana para um curso de planejamento estratégico no Instituto Latino-Americano de Desenvolvimento Econômico e Social (Ildes), em 1991. Dois anos depois, Viana assumiria a prefeitura de Rio Branco, hoje a única capital ainda comandada pelo PT.

A aliança com o PSDB terminou no final do seu segundo mandato, com o definhamento dos tucanos no Acre, mas rendeu uma gestão que transformou o Estado. 

“Não era uma disputa entre grupos políticos. Era entre as pessoas de bem e bandidos. Transformamos o Acre de um lugar onde as pessoas eram serradas com motosserras em um Estado que crescia em média de 5% a 7% ao ano, acima da média nacional”, lembra o ex-secretário de Planejamento Gilberto Siqueira. 

No Senado desde 2011, Viana foi relator do polêmico projeto do Código Florestal e, indicado pelo PT, chegou à vice-presidência da Casa, onde passou a ter afinidade com Renan. Segundo interlocutores, desde junho, quando se consolidou a possibilidade da queda de Eduardo Cunha na Câmara e de um efeito em cascata, o petista adotou um estilo mais discreto, já se preparando para a possibilidade de assumir a presidência. 

Em setembro, a Operação Lava Jato conduziu coercitivamente o ex-assessor parlamentar Mario Manucci, ligado a Viana. Os investigadores suspeitavam que o senador fosse o “menino da floresta” citado em planilhas da Odebrecht. Viana nega. O senador não é formalmente citado nem investigado na Lava Jato. 

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